Lido: O Homem do Bosque

setembro 21, 2017
Foto do kindle com o ebook O Homem do Bosque

Paul é um homem que recentemente encontrara um rumo para a sua vida, junto da escritora Kate e sua filha Ruby. Kate está em reabilitação da sua dependência de bebidas alcoólicas e encontrou na religião força e caminho para uma cura. Após escrever um livro relatando sua experiência, tornou-se famosa na área de auto-ajuda e bastante requisita no mundo do entretenimento, sendo vista com um exemplo religioso a ser seguido.

Passando por situações difíceis desde criança, com um pai violento que abandonou a família, Paul aprendeu a se virar e sempre teve dificuldades em criar vínculos ou se acomodar em algum lugar, até começar a namorar Kate e se tornar sua família. Voltando de um dia estressante que não lhe rendeu o trabalho que esperava, decide parar em um parque para ficar um pouco sozinho antes de chegar em casa. Lá, Paul encontra um homem batendo em um cachorro e após confrontá-lo para que parasse, tem sua vida mudada para sempre.

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Esse livro foi mais uma das minhas experiências aleatórias com o Kindle Unlimited, então não sabia muito bem o que esperar dele. Imaginava que fosse um thriller, e acredito realmente que seja, mas muito mais voltado para o lado dramático e psicológico. Por conta disso, é um livro mais parado, com quase a totalidade da ação concentrando-se na cena do parque. Mesmo assim, fiquei bastante presa à história e quase não vi as suas quase 400 páginas passarem.

"Quando o pensamento voltou a lhe ocorrer, foi como se tudo tivesse acontecido com outra pessoa. Não acontecera com outra pessoa, mas era isso o que o deixava perplexo e fascinado: como coisas que achamos que vão nos perturbar para sempre perdem seu poder com o passar do tempo."

O ponto alto do livro são o desenvolvimento psicológico dos personagens, seu cotidiano, suas incertezas e questionamentos. E acredito que o leitor vai se questionar bastante também durante o livro, pelo menos foi o que aconteceu comigo. Em diversas situações, além da angústia que eu sentia quase o tempo todo, não sabia exatamente o que pensar e o limiar entre o certo e o errado por vezes ficou meio bagunçado na minha cabeça. 

Apesar de ter falado que os personagens são destaque, acredito que são daquele tipo que não são feitos para serem gostados ou inspirar simpatia, mas que mesmo assim você não consegue deixar de se envolver com suas histórias e até se identificar em certos pontos. Ainda que a maior parte do que acontece com eles no livro é fruto do acontecimento do parque, o autor também apresenta vários outros conflitos independentes de suas vidas, como o alcoolismo de Kate, sua relação com a fé, como mãe e mulher e mesmo os personagens secundários têm uma pequena parte de sua história contada. 

"Mesmo nas melhores circunstâncias, é muitas vezes difícil para ele ordenar os pensamentos quando precisa expressá-los. Frequentemente, soa como uma criança a seus próprios ouvidos, interrompendo o que estava falando para acrescentar detalhes que esqueceu e se interrompendo de novo para acrescentar pensamentos intercalados - tantos os parênteses implícitos que acabam se arrebentando como sacos de papel molhados." 

O livro estava indo realmente muito bem até chegar o final, o que fez com que eu diminuísse a minha avaliação. Ele é aberto e apesar de termos uma conclusão (mesmo que subentendida) para o acontecimento central da obra, achei que os subplots foram esquecidos. O autor criou vários pequenos conflitos que ficaram simplesmente no ar, sem nenhuma conclusão. Não acho que ele precisava encerrar um por um, como num capítulo final de uma novela, mas é chato acompanhar a vida dos personagens tanto tempo para não ter nenhum fechamento em relação a eles. 

Mas mesmo assim foi uma leitura que gostei de fazer e que conseguiu prender minha atenção, o que anda bem difícil ultimamente. E para quem não se importar com finais abertos, melhor ainda! 

"Anos no serviço lhe ensinaram que o caminho para o inferno é pavimentado com palavras adicionais. Pessoas que sabem como o mundo funciona falam o mínimo possível." 

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Capa do livro O Homem do Bosque de Scott Spencer
Autor: Scott Spencer
Número de Páginas: 378 (442 no kindle)
Editora: Bertrand Brasil
Idioma: Português
Tradutor: Paulo Afonso






Sinopse: Em seu romance mais arrebatador, "O homem do bosque", considerado um dos melhores de 2010 pela Amazon, Scott Spencer prova por que é avaliado como um dos maiores escritores norte-americanos da atualidade e por que é unanimidade entre os críticos ao redor do mundo.Desde adolescente, Paul vive por conta própria. Livre, independente. Guiado sempre por um código de conduta rígido, tendo feito um pouco de tudo na vida, ele chegou a pensar que nunca teria um norte, que estava apenas ao sabor do vento. Até que conhece a bela, inteligente e amorosa Kate Ellis, e sua filha, Ruby, de nove anos. As duas lhe oferecem uma vida de ordem e regularidade. Contudo, ao caminhar por um parque, o protagonista encontra um homem espancando um cachorro e, por alguns momentos, mergulha num mundo de violência e numa jornada anárquica de autoconhecimento, redenção e culpa. Morte e vida cruzam seu caminho. Scott Spencer capta a intensidade da paixão humana – e sua capacidade, ao mesmo tempo, destrutiva e redentora – com precisão e discernimento sem precedentes. Ele abusa da ironia, da espirituosidade e de sua profunda sensibilidade num thriller psicológico e provocante que trata da moral e da masculinidade, das escolhas e do destino.

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Não acho que vai fazer diferença para ninguém, mas para mim fez bastante, a mudança da categoria desse tipo de post de "Resenha" para "Lido". Já fazia algum tempo que não estava muito inspirada e nem gostando de como minhas resenhas estavam saindo, e parece que fazer uma resenha tem um peso muito maior do que apenas escrever suas impressões sobre um livro lido (pelo menos na minha cabeça). Estava deixando de escrever sobre vários livros que li exatamente por conta disso, por achar que meus comentários não seriam algo que eu poderia chamar de resenha. Com essa mudança, parece que resolvi um pouco esse meu bloqueio e acho que vou conseguir escrever mais frequentemente. Veremos :)

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