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Como estou querendo voltar a escrever mais por aqui, achei que seria uma boa fazer posts com coisas que aconteceram em cada mês. Além disso, é uma forma de manter registros para que as memórias não se percam ao longo do tempo. 

(Pra falar a verdade, devia ter feito esse post antes, porque minha memória não é das melhores e já esqueci muitas coisas kkkk, mas farei o possível.)


Comecei a jogar a expansão de Pokopia, que se passa em Bubbly Basin, uma cidade aquática. Pokopia foi meu segundo maior vício de Switch, só perdendo para Animal Crossing. Mas, apesar de ter jogado loucamente durante um tempo, enjoei bem mais rápido que AC. Num primeiro momento achei incrível os cenários serem tão grandes e as possibilidades de construção serem quase infinitas, mas depois de um tempo isso começou a me deixar meio sobrecarregada. Não sabia o que fazer primeiro, minhas casas ficavam horríveis, as cidades bagunçadas. E pela quantidade de personagens, é difícil colocar uma personalidade neles, então são todos super genéricos (e chatos) e acaba ficando meio repetitivo. Uma coisa que gostava muito em AC é que os villagers tinham personalidade. Mesmo assim, é um jogo muito divertido e gostosinho e depois que comprei a expansão voltei a me interessar, mas não do jeito louco do começo. 


Terminei de ler Golem e O Gênio, que nem lembro quando tinha começado. Ganhei esse livro faz muitos anos de uma amiga e só peguei este ano para ler. Ando lendo bem pouco e fico intimidada por livros grandes. Mas apesar de ter sido uma leitura demorada, foi muito gostosa. O livro é muito bem escrito e eu amei a Chava. Tive sentimentos conflitantes pelo Ahmad, mas acho que era para ser assim mesmo. Por muito tempo este foi um livro volume único, mas depois a autora escreveu mais dois. Eles não foram e nem sei se serão lançados no Brasil, mas acho que já tive o suficiente dessa história. Fico com receio de quando são escritas continuações de livros que foram inicialmente pensados como histórias únicas. 
Não quero correr o risco de estragar a experiência que tive com essa leitura e acho que ela teve um bom final.

Sinopse: Os confrontos e as barreiras vividas por duas culturas tão próximas, ainda que aparentemente opostas. Em Golem e o Gênio, premiado romance fantástico que a DarkSide® Books traz ao Brasil em 2015, o leitor se transporta à Nova York da virada do século XX, em uma viagem fascinante através das culturas árabe e judaica. Seus guias serão poderosos seres mitológicos. Chava é uma golem, criatura feita de barro, trazida à vida por um estranho rabino envolvido com os estudos alquímicos da cabala. Ahmad é um gênio, ser feito de fogo, nascido no deserto sírio, preso em uma antiga garrafa de cobre por um beduíno, séculos atrás. Atraídos pelo destino à parte mais pobre de uma Manhattan construída por imigrantes, Ahmad e Chava se tornam improváveis amigos e companheiros de alma, desafiando suas naturezas opostas. Até a noite em que um terrível incidente os separa. Mas uma poderosa ameaça vai reuni-los novamente, colocando em risco suas existências e obrigando-os a fazer uma escolha definitiva.

Devorei o livro Apelo Final. Meu namorado viu esse livro em uma visita que fizemos à nova Livraria da Vila na Paulista e achou que eu fosse gostar. E ele estava certo, fazia tempo que não terminava um livro tão rápido. Antes de começar a ler dei uma olhada nas avaliações de outras pessoas e fiquei com receio porque não estavam tão boas e muita gente falou que levou meses para terminar e nada acontecia. E de fato não acontece muita coisa, o livro todo é escrito na forma de troca de e-mails, mas achei que a autora fez isso muito bem. A gente conseguia entender muito das pessoas pela forma que elas escreviam, como elas interpretavam de formas diferentes a mesma situação, etc. A solução final eu achei um pouquinho tirada do nada, mas no geral, gostei muito. 

Sinopse: Toda mensagem esconde uma pista. Ou uma mentira. Há um mistério a ser resolvido na pequena cidade de Lockwood. Tudo começa com a chegada de dois novos moradores e termina com uma morte trágica. Uma pessoa já foi presa pelo crime, mas o experiente advogado Roderick Tanner acredita que o verdadeiro culpado ainda está à solta. Cabe a Charlotte e Femi, jovens estudantes de Direito, analisar o dossiê: um amontoado de e-mails, cartas e mensagens trocadas entre os membros do grupo teatral Tacadas EnCena, que se mobilizaram para arrecadar fundos para o tratamento de uma criança. Em meio a essa rede de solidariedade, segredos obscuros e intenções dúbias se escondem nas entrelinhas. Um romance policial epistolar diferente de tudo: o leitor recebe as mesmas pistas que os investigadores e precisa decifrá-las. A lista de "personagens" ajuda a organizar o elenco de suspeitos, mas a verdadeira questão permanece: você descobrirá quem é o assassino antes deles? "A Agatha Christie moderna." Sunday Times "Uma estreia audaciosa." The Times. "A nova rainha do crime, mirando a coroa de Christie." Electric Literature.


Agosto foi um mês meio complicado para a Mochizinha (e pra gente). Ela ficou muito incomodada na última aplicação do antipulgas e ficou lambendo demais uma região próxima nas costas, até machucar. Tratamos com uma pomada indicada pela veterinária e precisamos deixar a região protegida, o que é bem difícil de fazer com gatos. Nós já usamos 2 colares elisabetanos diferentes e roupinhas. E até hoje estamos no tratamento, porque ela já conseguiu tirar a proteção algumas vezes e lamber novamente até arrancar a casquinha que já estava se formando. 😭
Apesar de tudo, ela ficou uma fofura com as roupinhas. 

E para fechar o mês: Nix subiu de nível na sua habilidade de aprontada. Agora ele começou a subir no micro-ondas e na geladeira. 🫠


Resumo do Mês: Agosto/26

22 setembro 2026


Sempre gostei de fazer coisas manuais e artesanato. Mas sou muito inconstante com meus interesses. Eu fico apaixonada por determinada coisa e só quero fazer aquilo, mas depois de pouco tempo abandono, principalmente se acho que não sou boa o suficiente. Sei que não faz sentido, porque hobbies deveriam nos fazer bem e nos relaxar e não virar mais uma fonte de cobrança. Mas isso é algo que ainda estou trabalhando. 

Já fazia muito tempo que queria fazer bordado e ficava adiando. Até que um dia resolvi passar num armarinho aqui perto de casa, comprar umas coisas e começar, mesmo sem ter todos os materiais. E foi a melhor coisa que fiz. Fiz dois cursos rápidos online no Skillshare em novembro do ano passado e esses foram meus primeiros bordados:




Desde então não parei e estou orgulhosa de mim por isso. Fiz alguns quadrinhos aqui para casa e vários para dar de presente para a família e acho que essa foi uma das maiores motivações para continuar. Fico muito feliz quando a pessoa que recebe gosta. Não tenho muito mais o que falar sobre o bordado rs, mas achei que seria um bom post para tentar voltar para o blog porque tem sido algo que está bem presente na minha vida nos últimos tempos. 

E mais alguns dos bordados:







Meu hobby mais duradouro

17 setembro 2026

Tenho uma relação complicada com a internet há muitos anos — e isso desde bem antes do “detox digital” viralizar (meio irônico, não é?). Já em 2016, escrevi sobre o assunto no blog, tentando entender como equilibrar minha vida online e offline.

Eu já tentei tantas abordagens diferentes, que perdi a conta. Já usei bloqueadores de aplicativos e de sites, launchers para transformar meu celular em uma espécie dumb phone e por aí vai. As únicas coisas que não tentei foram ter um dumb phone (já que não é vendido por aqui) ou usar um celular antigo - não tenho como abrir mão de alguns aplicativos no meu dia a dia, como banco, trabalho, mensagens.

Recentemente li dois livros sobre o assunto: Minimalismo Digital, do Cal Newport e Reclaim Your Mind, do Jay Vidyarthi. O primeiro tem uma abordagem um pouco mais radical e parecida com o que eu vinha tentando: cortar todas as tecnologias opcionais da sua vida e depois voltar apenas com o que faz sentido para você, com um uso controlado.

A Triagem da Tecnologia Minimalista (Minimalismo Digital)

Para permitir que uma tecnologia opcional volte à sua vida no final da faxina digital, ela deve:

1. Servir a algo que você valorize profundamente (oferecer algum benefício, em si, não é suficiente).

2. Ser a melhor maneira de usar a tecnologia para atender a esse valor (se não for, substitua-a por algo melhor).

3. Ter um papel em sua vida restrito a um procedimento operacional padrão que especifique quando e como usá-la.

Depois de muito tentar e fracassar, percebi que esse método não funciona para mim. Eu não uso o Instagram ou o TikTok, por exemplo, porque eles me servem a algo que valorizo profundamente. Nem sigo tantas pessoas por lá e na grande maioria das vezes uso para me distrair dos meus pensamentos ou de algum outro desconforto que eu quero evitar, rolando o feed infinitamente e vendo a vida de influencers (para me comparar e ficar pior ainda) e coisas aleatórias.

E foi aí que entendi: preciso reaprender a sentir desconforto e lidar com momentos de tédio e solidão.

Não estou dizendo que as grandes empresas responsáveis pelas redes sociais e essas novas tecnologias não tenham culpa. Acredito que elas têm, e muito. Fizeram e fazem de tudo para roubar nossa atenção e nos fazer passar o máximo de tempo online. Por conta delas, desaprendi a ter momentos do dia que não são preenchidos com nada. Mas também preciso assumir a minha responsabilidade de lidar com meus impulsos e com as decisões que eu tomo sobre como usar o meu tempo. Enquanto isso não acontecer, vou continuar burlando as restrições dos aplicativos de bloqueio ou reinstalando redes sociais que excluí.
“Também pode ser fácil começar a criticar, reclamar e apontar o dedo. Eu com certeza já culpei bastante as grandes corporações, me martirizei pelo consumo excessivo e fiz com que as pessoas ao meu redor se sentissem culpadas. A raiva e a frustração podem ser justificadas, mas não são um caminho construtivo para seguirmos em nossas vidas pessoais.” - Trecho traduzido do livro Reclaim Your Mind
Esse segundo livro me fez perceber que é quase impossível nos isolarmos das tecnologias no mundo que vivemos. Às vezes, fantasio com a possibilidade de não ter mais um smartphone e viver em um lugar tranquilo e afastado da sociedade. Mas essa não é a minha realidade e dificilmente será.

Eu com certeza não conseguiria viver sem tecnologia. Na verdade, nem acho que quero. Só tenho esses pensamentos quando me sinto sobrecarregada com os milhares de estímulos da internet. Por isso agora estou tentando uma abordagem mais equilibrada, tentando entender os motivos de buscar as distrações.

E quando eu quero mesmo usar algum aplicativo, tento fazer uma pausa antes e definir minha intenção com aquele uso, para não me perder e ficar infinitamente por lá. Ainda é muito difícil para mim e muitas vezes não funciona, mas acredito que com um pouco de treino, vou conseguir.

Também não posso ver só o lado ruim da internet, dos smartphones e da tecnologia no geral. É graças a eles que fiz algumas amizades e consigo manter contato com pessoas que estão distantes. Sem falar nos jogos de videogame que eu adoro ou aplicativos que são muito úteis para mim, como agenda, tarefas, mapas, etc. E o que seria de mim sem o Youtube que já me ensinou a fazer tantas coisas ou me distraiu em momentos difíceis?

Quero continuar usando as redes sociais o mínimo possível, porque realmente nem gosto tanto delas. Mas também preciso aprender a não ser tão dura comigo mesma quando eu não conseguir. E não enxergar mais a internet/apps como algo ruim que eu tenho que controlar, mas simplesmente como ferramentas que eu tenho a autonomia para escolher ou não se quero usar.

Tem dias que eu consigo, outros não. Tem dias que nem tenho cabeça para tentar colocar algum limite ou pensar antes de agir. Mas está tudo bem. São tentativas e aprendizados na minha jornada de me conhecer melhor e buscar uma vida com mais presença e consciência.

Nem tanto, nem tão pouco

11 abril 2025

 


Na verdade estou escrevendo lá desde setembro, mas como até agora escrevi só uma vez por mês, considero que comecei a escrever. 

Comecei a ler algumas newsletters por lá e achei a plataforma interessante, apesar de ainda estar apanhando um pouco para usar. Então resolvi começar a escrever também. Ainda não sei direito se vou escrever só lá, se vou manter o blog também...escrevo tão pouco que acho difícil manter os dois, mas quem sabe. 

Como já gastei toda minha inspiração na última postagem que fiz por lá, esse vai ser um post rapidinho só para deixar o link aqui, se alguém quiser ver. 😊


https://1gatodecadavez.substack.com/


Comecei a escrever no Substack

22 novembro 2024

Mochi é a nossa segunda gatinha e não sabíamos o quanto precisávamos dela até adotá-la. 
O nome foi escolhido com ajuda do ChatGPT e eu achei que combinou muito porque ela lembrava um mochi quando era filhotinha. No começo o nome era baseado só na aparência, mas ele não podia ser mais perfeito porque ela é um verdadeiro docinho. E ela é toda molinha e meio escorregadia quando você pega no colo. 


A ideia de ter um segundo gato surgiu por problemas comportamentais do Nix e recomendações de outras pessoas. Ficamos bastante tempo pensando nisso e cada vez mais nos animando com a ideia de ter outro gato. É difícil ter um gato só, eles são viciantes! Mas apesar de falarem que gatos são esquema de pirâmide e que quanto mais gatos você tem, mais gatos você quer, nós paramos nos dois. Mas não vou mentir, a vontade de pegar mais bate muitas vezes rs.  

Nós pesquisamos sobre adaptações de gatos e optamos por deixá-los separados e ir introduzindo aos poucos, como é recomendado pela maior parte dos profissionais. Eles se encontraram brevemente apenas no dia da primeira visita. 

Primeiro dia na nossa casa

Desde o começo, o Nix mostrou bastante interesse por ela e com isso ficamos animados e achando que a adaptação seria tranquila. Spoiler: não foi. A Mochi convivia com outros gatos no lar temporário, mas nós pegamos o Nix muito pequeninho e não sabíamos como tinha sido a convivência dele com outros gatos. 
Ela ficou no escritório que tem integração com a sacada e o Nix no restante da casa.  Fomos seguindo as dicas de dar comida para eles perto da porta para que se acostumassem com o cheiro um do outro e tentávamos impedir que eles se vissem pela cortina no vidro da varanda, mas estava difícil.

Brava por estar isolada do resto da casa

O Nix em nenhum momento tinha alguma reação agressiva ou de medo quando sentia o cheiro dela e ela teve só nos primeiros dois dias, então parecia que tudo estava indo bem. 
Estava complicado ficar com a casa dividida e muitas vezes um acabava escapando e vendo o outro. Estávamos muito ansiosos para que a adaptação desse certo logo, principalmente porque tínhamos receio de que eles não fossem se acostumar um com o outro e não saberíamos o que fazer se isso acontecesse. Acho que isso e os sinais positivos fizeram com que a gente apressasse um pouco as coisas. Sempre que eles se encontravam, o Nix ia para cima dela. Às vezes parecia meio lutinha e brincadeira de gato, às vezes não. A gente filmava, mostrava para outras pessoas que tinham gato mas não conseguíamos chegar a uma conclusão. 

De novo eu devo ter assistido todos os vídeos que tinham no YouTube e de novo isso não ajudou muito. Na internet parece tudo fácil e todos os vídeos que eu via mostravam casos de adaptação que deram super certo e super rápido. Tinha caso até que os gatos nem chegaram a ficar separados. 
Fomos ficando bem frustrados, mas não tínhamos muito o que fazer. Numa dessas buscas na internet descobri um blog antigo, que nem estava mais ativo, em que a autora escrevia sobre uma experiência muito desafiadora que ela estava tendo com uma adaptação. Vendo esse relato mais vida real e comentários do post, eu fiquei um pouco mais aliviada. 

Decidimos começar do zero, levando o tempo que fosse. Colamos papel craft no vidro da sacada para eles não se verem mesmo. Depois de muito conversar, também decidimos que precisávamos de ajuda de um profissional para avaliar a situação. Nós tivemos a ajuda presencial de uma comportamentalista e isso fez toda a diferença. Ela nos disse que grande parte da culpa do comportamento do Nix era nossa, porque a gente não dava nenhum limite para ele. E era mesmo. Fizemos a lição de casa e nos empenhamos bastante durante as visitas presenciais dela e aos poucos as coisas foram melhorando. 
Se dependesse da gente, toda hora que o Nix pulasse nela, íamos separar, mas ela nos fez entender que não era tudo isso que parecia e que precisávamos nos acalmar e dar o espaço deles, para que eles fossem encontrando os próprios limites. 


Depois de vários exercícios, eles começaram a ficar mais em paz quando estavam juntos, mas ainda não tínhamos coragem de deixá-los juntos quando saíamos de casa. Até que um dia quando voltamos do trabalho, depois de deixá-la na sacada/escritório, encontramos os dois juntos dormindo um em cada parte de uma torre de caixa que temos na sala. Fiquei muito bugada quando vi isso. Descobrimos que de algum jeito eles conseguiram (não sei se em um esforço conjunto ou não) abrir a porta da sacada e ficarem juntos. A gente deixava apenas uma frestinha da sacada aberta para passar o fio de fonte de água da Mochi. Era uma frestinha mesmo, mas os safadinhos conseguiram abrir. E a porta é meio pesada. O bom é que eles tomaram a decisão que a gente não conseguiu tomar kkkk. 

Yin-Yang

Já se passaram muitos meses desde então e eles têm períodos de brigas e estranhamento, mas no geral convivem muito bem. Eles vivem um atrás do outro, aprontando juntos, se lambendo, tirando sonecas perto. Em algumas fases parecem que estão mais atacados e brigam mais, principalmente de noite. Mas às vezes acho que é mais para chamar nossa atenção e por conta de energia que ficou acumulada depois do sono da tarde. Ainda me pergunto se deveria fazer algo diferente, se o comportamento é normal, mas tô tentando me estressar menos. 

Eu amo TANTO essa foto

A Mochi é toda fofinha e ronronante, mas também é uma pestinha. Tive que aprender a abrir mais mão de coisas materiais com ela. Não tivemos nenhum problema com o Nix de arranhar as coisas, mas não posso falar o mesmo da Mochi rs. Ela é muito engraçadinha e atrapalhada e parece que foi criada com todas as características pensadas para elevar a fofura ao nível máximo. Ela e o Nix são muito diferentes em várias coisas e os dois se completam e com certeza completaram a nossa família. ❤

Agora imagens de pura fofura para terminar bem essa postagem:

Esse trio ❤


a patinha, não aguento


Não pode ver um "paninho" que vai deitar em cima



Mochi

04 setembro 2024

Já estou praticamente um ano atrasada para escrever esse post. O Nix brotou na minha vida em abril de 2023. Isso mesmo, brotou rs. Eu sempre gostei de gatos e quis ter um, principalmente depois que sai da casa dos meus pais e sentia muita falta da Tifinha. Como não trabalho de casa todos os dias, achava que seria melhor um gato do que um cachorro porque diziam que gatos ficam melhor passando algum tempo sozinhos. 

Apesar da vontade, ainda tínhamos muito receio de como seria, se iria dar muito trabalho, como isso iria impactar na nossa vida, etc. Fomos algumas vezes em um evento de uma ONG, em Cat Cafés e eventos de adoção e apesar de eu ter passado perto de adotar uma vez, acabou não acontecendo porque nos falaram que para adotar a gatinha teríamos que pegar a irmãzinha dela junto porque elas eram muito pequenas para ficarem sozinhas. Se já estávamos com medo de adotar 1, imagina 2! (spoiler: já temos 2 gatos). Ah, eu também vivia procurando gato na rua porque o parque perto de casa tem muitos gatos, mas nunca encontrei um para levar para a casa. 

Até que em um belo e aparentemente tranquilo domingo, minha irmã me liga depois do café da manhã falando que tinha encontrado meu gato. Ela resgatou um filhotinho perto da casa dos meus pais e eu precisava decidir se queria ou não, porque tinha um outro cara que apareceu lá e ficou interessado. E assim, do nada, adotamos o Nix. No caminho até lá (outra cidade nas proximidades de onde moro) fomos discutindo os nomes e  ainda não sabíamos se era macho ou fêmea (mas tinha quase certeza que era macho). Meu namorado sugeriu esse nome, que é de uma divindade grega conhecida como a personificação da noite. Achei que combinou e que servia tanto para macho quanto para fêmea, então ficou Nix. 

Primeira foto que recebi, logo depois do resgate

Ele se adaptou muito bem a nós e ao nosso apartamento e na primeira noite já quis dormir com a gente na cama. Eu tirava e colocava na caminha dele e ele vinha escalando e subia de novo. Até que me dei por vencida e fiquei dormindo com ele. Aliás, ele dormiu, eu não, porque estava morrendo de medo de esmagá-lo. Os primeiros dias foram um caos, ele era muito trabalhoso, tinha aquela energia infinita de filhote e eu queria fazer tudo perfeito igual nos livros e nos vídeos que tinha visto, mas não estava dando certo. Os livros falavam muito sobre não frustrar o gato e eu achava que qualquer coisinha podia fazer isso e traumatizá-lo para sempre (sim, sou muito exagerada). Também me cobrava muito porque ficava pensando que a outra pessoa que se interessou por ele podia ser um tutor melhor do que eu, então passei a basicamente viver para o Nix. 

Que saudade desse cabeçudinho 🥺

Foi uma época cansativa, mas muito gostosa de brincadeiras e de ver ele fazendo as coisas pela primeira vez e se desenvolvendo. Mas a gente basicamente passava todo o tempo que podia brincando com ele e tinha um problema que era o mais complicado: ele mordia muito. A gente vivia com os braços e mãos machucadas. Antes mesmo de adotá-lo eu tinha visto que não podia acostumar o gato a brincar com a mão e por isso nunca fizemos isso com ele, sempre usamos brinquedos. Mas mesmo assim ele atacava muito, principalmente quando era contrariado. E cada vez estava machucando mais e nos deixando mais frustrados. Eu acho que assisti basicamente o YouTube inteiro sobre esse tema e todos davam as mesmas dicas genéricas e culpavam o tutor por algum momento incentivar esse comportamento, mas nunca fizemos isso.

Encontrei uma comportamentalista online e fizemos uma consulta com ela, mas como era por vídeo, não dava para ela ver exatamente a situação. Quase tudo que ela falou eu já sabia e tinha tentado e não tinha dado certo. Ela explicou que ele provavelmente era assim por ter sido separado das mães e dos irmãozinhos muito cedo (quando nós o encontramos, a veterinária falou que ele devia ter uns 3 meses e não sabemos quando/como ele foi parar lá na rua). Os gatos aprendem a dosar a força interagindo e brincando de lutinha com outros gatos e o Nix não teve isso. E por mais que brincássemos o tempo todo com ele, não tinha como brincar da mesma forma que ele brincaria com um gato. Então ela sugeriu que adotássemos outro gato, que as coisas seriam melhor assim. Mas só pensávamos que com dois gatos seria esse mesmo trabalho em dobro. 

Ele adorava brincar nas cabaninhas de almofada que eu fazia

Logo depois que passamos com a comportamentalista conversamos com um casal de amigos do Diego em uma festa e eles contaram que tinham um problema muito parecido com o nosso, até que adotaram outro gato e as coisas melhoraram bastante. Fomos levando as coisas, às vezes considerando a possibilidade, mas na maior parte do tempo achando que não ia dar certo. Até que acabamos gostando muito de uma gatinha que estava para adoção na Petz e começamos a considerar de verdade a ideia. Voltamos lá para visitá-la, já super animados, e ela tinha sido adotada. Fiquei triste, mas pouco depois vi essa postagem no Instagram e foi assim que a Mochi entrou na nossa vida. Mas isso é história para outro dia. 



Hoje o Nix está com mais ou menos 1 ano e 3 meses. Ele cresceu muito rápido, sinto falta daquela coisinha que cabia no meu ombro. Ele parou de morder e é muito mais fácil de lidar agora, apesar de ser meio sem paciência (mas nem posso falar nada porque me identifico). Eu vi em algum lugar, acho que o Jackson Galaxy que falou, que a paciência do gato é como um balãozinho que vai enchendo e a do Nix é um balãozinho bem pequeno e que enche rápido. Mas hoje em dia sabemos identificar isso bem melhor. E quando ele está de saco cheio, normalmente só sai e não nos ataca como era antes. 



Ele é um puxa saco do Diego e vive pedindo colo e carinho para ele e eu fico com inveja. Mas de vez em quando ele vem fazer um denguinho comigo também. Agora para brincar, eu sou a escolhida 😎. Nós temos nossas brincadeiras que são praticamente as mesmas desde que ele era bebê e ele fica atrás de mim para me chamar para brincar, é muito bonitinho. Quem não sabe disso provavelmente acharia que ele tem medo de mim, porque o jeito dele chamar é ficar parado atrás de mim e quando eu olho, sair correndo igual um maluco para se esconder. Ele brinca muuuuuito menos do que antes e às vezes eu fico brincando sozinha na tentativa de fazer ele se interessar, mas quando ele engaja na brincadeira, é muito gostoso. 

Ter um gato não é tranquilo igual muita gente fala, pelo menos não se você quiser dar uma vida enriquecedora para ele. Ele tem suas particularidades e dá trabalho em coisas que cachorro não dá, assim como cachorro também dá trabalho em coisas que gato não dá. Eles exigem atenção, carinho, brincadeira e cuidados. Mas de uma coisa eu tenho certeza, é muito recompensador! Não consigo nem explicar o tanto que eu amo esses bichinhos, o quanto eles me fazem bem e deixam meu dia mais feliz. Eles são muito divertidos, cada um tem uma personalidade muito única e é bom demais morar e conviver com eles. O Nix é super esperto e focado, acho que em duas sessões de treinamento já aprendeu a sentar e lembra até hoje quando eu falo, mesmo eu nunca mais tendo reforçado esse comportamento. E eu fico babando no quanto ele é lindo! Olha essa pantera perfeita!


Eu ainda tenho algumas inseguranças e paranoias relacionadas à saúde deles, mas isso vem da minha ansiedade. Acho que com as coisas que aprendemos com a outra comportamentalista que contratamos para ajudar na adaptação dos dois e a própria convivência com eles fui ficando um pouco mais tranquila. Acho que ter consumido tanto conteúdo como consumi acabou atrapalhando mais do que ajudando, mas faz parte. Muita coisa eu só aprendi por conta disso, porque apesar de gostar de gatos, não tinha ideia de como era ter um. Não sabia nem brincar da maneira correta. 

Depois volto aqui para contar da Mochi e da convivência dos dois, porque essa é outra longa história...mas com "final" feliz. 🥰


Nix

06 maio 2024

 


Eu acho que tenho um problema com compras. Não que eu fique comprando coisas loucamente ou me endividando, mas alguns comportamentos têm me incomodado e quero mudá-los. 

Quando eu comecei a trabalhar, tinha bastante resistência em gastar dinheiro, principalmente comigo. Mas isso foi mudando, com pensamentos de "eu mereço" e "eu trabalho para isso". Durante bastante tempo, o que eu mais comprava eram livros e ebooks. E eu comecei a passar muito mais tempo pesquisando sobre novos livros e olhando promoções do que de fato lendo. Tenho tantos ebooks que acho que nem conseguiria ler todos nessa vida. Fora que já perdi o interesse por muitos. O fato do ebook ser relativamente barato e super fácil de comprar (maldito "Compre com 1-clique da Amazon") tornou isso cada vez mais viciante. E 10 reais não parecia causar um grande impacto na conta, mas não quero nem parar para somar todos 10 reais que já gastei com livros que provavelmente nunca lerei. 

Grande parte das minhas compras vem da Amazon. É muito fácil e por vezes aparentemente mais barato comprar por lá. Tem frete grátis (com assinatura, claro), várias promoções, entrega rápida. Compro muitos itens para casa e até coisas de mercado por lá. E uma das promoções que mais me faz perder tempo (sim, tempo) é a de 15% de desconto em itens de mercado. Entro para comprar alguma coisa e vejo que aquele item tem desconto se você comprar 10 coisas de mercado. E sempre precisamos de coisas de mercado, certo? Não, muitas vezes precisava só daquilo mesmo, mas acabo comprando coisas para estocar ou coisas que nem precisava, mas já que tão na promoção, vou experimentar. E nisso passo horas vendo tudo que tá elegível para decidir o que comprar. 

Promoções são meu ponto fraco. Por muito tempo a primeira coisa que fazia ao entrar na internet era entrar em sites de promoção, mesmo que eu não precisasse ou não quisesse nada. E na maioria das vezes nem compro nada mesmo, mas perco um tempão visitando sites e vendo o que está disponível. Várias e várias vezes coloco itens no carrinho e desisto da compra. Mais tempo perdido a toa. 

Na pandemia veio outro vício: comprar cursos online. Eu me interesso por vários assuntos e tenho um sério problema de foco, então cada hora queria aprender uma coisa diferente. Também era um jeito de tentar me manter entretida. Mas sabe quantos desses cursos eu fiz do começo ao fim? Nenhum. 

Comprar algo novo me dá uma sensação boa. Uma nova possibilidade, algo a ser explorado, algum item que vai resolver ou simplificar minha vida, deixar minha casa mais bonita. Mas isso passa rapidinho e depois vem a culpa por ter gastado mais dinheiro em algo que eu nem precisava, que vai ocupar espaço, não vai ser útil. Outra culpa muito forte, principalmente quando compro coisas na Amazon, é de estar contribuindo com a poluição do planeta. Mesmo quando compro itens em uma única compra, muitas vezes a entrega é feita em várias etapas e com caixas de papelão ou sacos plásticos enormes pra um só item. Outro dia comprei uma pasta de amendoim de 300g e eles mandaram numa caixa tão grande que dava para meus gatos entrarem nela com folga. E tenho fotos para provar porque toda caixa que os gatos entram eu acho bonitinho e tiro foto. 


Um dia desses me deparei com um vídeo no Youtube sobre o No Buy Year e decidi que vou fazer ano que vem. Na verdade é mais um "Low Buy Year" porque não vou deixar de comprar tudo, mas vou dar uma limitada. A primeira coisa que fiz como preparação foi cancelar o meu Amazon Prime e ainda bem que fiz isso hoje porque era o último dia antes da renovação anual e eu nem lembrava. É o universo conspirando para eu gastar menos rs. Também desinstalei os aplicativos de mercado online e de delivery. Não que eu vá deixar de usar, mas muitas vezes abro esses aplicativos e fico de bobeira vendo as coisas e "passeando" pelas prateleiras virtuais do mercado (meu deus, sou mesmo maluca). Quando eu precisar, baixo o aplicativo, uso e desinstalo. 

Regras do meu No Buy Year

O que NÃO posso comprar

  • Cursos online. Além de já ter vários para fazer, preciso dar um descanso para a minha cabeça. Ficar aprendendo várias coisas e pulando de um tópico para o outro tem contribuído com a minha ansiedade. Porque quero ser boa em tudo que tô aprendendo e dar uma aplicação para aquilo. E muitas vezes é algo muito aleatório ou que não cabe na minha vida no momento. 
  • Livros e ebooks. Não posso comprar, baixar (o que é raro, mas às vezes faço), pegar na biblioteca, nada disso. Tenho que ler os que eu já adquiri. A exceção é se eu ganhar algum livro.
  • Tranqueiras na Daiso e similares. Isso inclui (mas não se limita a) potes, coisas de papelaria, enfeitinhos, brinquedos para os gatos e qualquer outra coisa que não tenha como objetivo substituir algo que acabou/quebrou ou que tenha alguma utilidade imediata e bem específica. 
  • Novas assinaturas de aplicativos ou aplicativos
  • Cremes e itens cosméticos sem ser para substituir os que acabarem ou estiverem para terminar e eu realmente use. Porque na maioria das vezes mal uso os que eu já tenho e acabam vencendo.
  • Brincos, anéis, colares, etc. Não tenho muitos mas todos os dias uso os mesmos e os outros ficam guardados. Acho que já tenho mais que o suficiente. 
  • Acessórios de cabelo. NUNCA uso os que eu compro, nunca mesmo. Tenho dor de cabeça com tiara, presilha, qualquer coisa, mas sempre me iludo achando que vou usar. 
  • Esmaltes. Eu era viciada em pintar a unha, mas com a pandemia praticamente nunca mais pintei. E sempre que pinto me arrependo porque dá preguiça na hora de tirar e qualquer lascadinho eu já acho horrível. Tenho uns 5 esmaltes que também já são mais que o suficiente. 
  • Temperos para testar. Ano passado me deu uma louca e sai comprando todos os temperos que existiam da Pitada Natural e alguns aleatórios no mercado. Eu me mudei para minha casa e ia começar a cozinhar com mais frequência, então me pareceu uma ótima ideia ter uma variedade. No final acabei usando quase sempre os mesmos e os outros estragaram ou eu não gostei do sabor. Então só posso comprar os que uso de verdade quando acabarem. 
  • Itens de mercado para fazer estoque. Tem muito comércio aqui perto de onde eu moro, quando algo acaba posso facilmente repor. Posso pagar um pouco mais barato nas promoções, mas depois não tenho nem onde guardar e muitas vezes enfio no guarda roupa, esqueço que tenho e acabo comprando novamente. 
  • Jogos (principalmente os de fazendinha) antes de eu jogar os que eu já comprei. Exceção: se minha irmã quiser comprar algum jogo em conjunto. 

Coisas que quero evitar comprar

  • Qualquer coisa por impulso, que eu não quisesse ou precisasse antes de ver aquela coisa
  • Brinquedos para os gatos. Eles já tem muitos e gostam mesmo de poucos, mas sempre que vejo um novo quero comprar
  • Produtos de marcas diferentes para testar. Eu tenho uma vontade incontrolável de testar coisas novas. Teve uma época que estava viciada em testar pastas de dente. Mas quero me manter nas coisas que eu gosto e já funcionam, porque muitas das coisas que comprava para testar não davam certo. 

Coisas que quero fazer

  • Tentar fazer compras mais "concentradas", não ficar comprando itens dispersos. O que me leva ao item:
  • Fazer listas de compras. Eu tento fazer isso, mas não sou tão boa, então acabo deixando de comprar o que precisa ou comprando coisas que não preciso. Uso um aplicativo que gosto bastante, o Bring, mas preciso tentar tornar isso mais um hábito e assim que algo acabar ou eu lembrar de algo que estou precisando, já colocar no aplicativo. 

Eu acho que essa experiência vai ter muito mais impacto na minha saúde mental do que na financeira. Nunca consigo manter um controle de quanto estou gastando até ter que pagar o cartão de crédito. Tento fazer planilhas, mas são tantas compras e gastos picados que fica impossível de controlar. Fora o tempo que é perdido olhando promoções, analisando o que eu poderia comprar. 

Minha mãe sempre nos ensinou a doar coisas, então nunca fomos de acumular. Sempre antes dos aniversários, ela sentava com a gente para que separássemos brinquedos para dar, já que iríamos ganhar outros. E até hoje sou assim, sou desapegada e vivo separando coisas para doar. E mesmo não tendo tantas coisas assim em casa (às vezes vejo uns vídeos na internet de pessoas que fazem com que eu me pareça minimalista), muitas vezes me dá vontade de sair tirando tudo que eu tenho e doando. Nunca vou ter uma casa sem decorações, sem as coisas bonitinhas que eu gosto, sem livros...mas sinto que ter menos coisas me dá mais paz. 



No Buy Year | Comprando com mais consciência

01 dezembro 2023


 

Eu vivi praticamente a minha vida toda de dieta. Mesmo que eu não estivesse oficialmente de dieta, eu sempre seguia regras em relação à comida que eu achava que deveriam ser seguidas. Meu corpo é bem parecido com o da minha mãe e ela também sempre fez dieta. Eu cresci lendo as revistas dela (Corpo a Corpo, Dieta Já, Boa Forma) e vendo tudo ali como o certo e o corpo das mulheres como o sonho a ser alcançado. Quando criança, eu tomava corticoides para o tratamento da artrite e isso fazia com que eu fosse inchada e tivesse mais apetite (apesar de eu nunca ter comido descontroladamente). Quando criança o reumatologista falava que eu tinha que fazer dieta e controlar o que como. Ele usava o exemplo do filho dele que comida uma lata inteira de leite condensado com Nescau, falando para eu não fazer esse tipo de coisa. Eu nunca passei nem perto disso. Quando a gente ia comer bolacha, Bis, essas coisas, minha mãe sempre falava que era no máximo 4. E isso sempre me satisfez. Mas eu sempre achava que comia demais, que devia controlar doces e outras "porcarias". 

Eu sempre tive uma autoimagem muito ruim, principalmente por conta da minha altura. Sempre fui muito baixa e isso era motivo para outras crianças (e às vezes adultos) fazerem comentários e piadinhas. Também era tímida, quietinha e insegura. Tudo isso somado à visão que eu tinha do meu peso (grande parte influenciada por outras pessoas) fez com que eu crescesse com uma relação disfuncional com meu corpo e com a comida. 

Quando parei de usar corticoide, eu comecei a desinchar e emagrecer e gostei disso. Então comecei a comer cada vez menos e passei um ano todo em uma dieta rígida criada por mim mesma. Estava super magra, mas não via isso. Um dia passei mal por não ter comido direito e meus pais me fizeram voltar a comer de forma mais normal. Recuperei um pouco o peso, mas continuei magra por uns anos (vejo isso agora, na época achava que estava gorda). Sempre dando um jeito de seguir as regras da comida, tentando comer pouco, compensando se eu achava que tinha comido demais, tirando miolo do pão, evitando carboidrato de noite, etc. 

Quando fiquei adulta, entrei em um ciclo de engordar e emagrecer, sempre restringindo o que eu comia por um tempo e não conseguindo manter. Depois de me formar na faculdade passei um tempo só em casa estudando para concurso e não estava bem psicologicamente, o que me fez engordar um pouco mais. Após uma crise de artrite comecei um tratamento com meu reumatologista atual, que é um ótimo médico mas me deixou mais do que nunca insegura e culpada pelo meu peso. Influenciada por ele fiz dieta novamente e emagreci bastante. Mas adivinhem? Não consegui manter por muito tempo, mas fiquei no que vinha sendo meu peso médio. Até que veio a pandemia. Eu engordei muito mais do que já tinha engordado e praticamente parei com todas atividades físicas. Mantive o Pilates online, mas não era a mesma coisa. A incerteza e a ansiedade do período me fizeram comer muito emocionalmente. Fiz algumas tentativas de emagrecer mas me sentia bem desmotivada. Minha autoestima estava péssima e morria de medo de encontrar as pessoas novamente, porque na minha cabeça todo mundo ia reparar que eu tinha engordado e me julgar. 

Muitas coisas aconteceram nesses anos, até que num momento que eu estava muito mal comigo mesma, resolvi ir atrás de uma nutricionista e fazer uma dieta acompanhada. Até chegar aí já tinha lido livros de dieta (dos mais variados tipos), de alimentação intuitiva, tentado um remédio para emagrecer (o que está na moda atualmente e me fez tão mal que nunca mais quis usar nada do tipo)....e o que fez mais sentido para mim foi a alimentação intuitiva. Eu já tinha seguido por um tempo e estava vendo resultados. Não no meu corpo, mas sim no meu comportamento, mas meu corpo e meu peso sempre eram prioridade e acabei parando. 

Ao mesmo tempo que eu tentava rejeitar a mentalidade de dieta, porque comecei a pesquisar mais sobre isso e sabia que não funcionava de forma definitiva por ter vivido a vida assim, no fundo no fundo acreditava que seria a única solução. Então procurei uma nutricionista que fosse mais por um "caminho do meio". No perfil dela estava escrito "Te ajudo a emagrecer comendo o que você gosta". Claro que não imaginei que ia emagrecer comendo chocolate, bolo, etc, mas me pareceu promissor. A parte mais difícil da minha alimentação sempre foi o jantar, porque odeio jantar comida, preferindo um lanche, alguma coisa mais como um segundo café da manhã. Mas no geral eu me alimento muito bem, gosto de frutas, verduras, legumes, quase não como frituras e não como em grandes quantidades. 

Na primeira consulta foi tudo ótimo, expliquei quais eram minhas restrições, que eu tinha medo e culpa por comer coisas como arroz e pão, quais era meus objetivos, etc. Ela me passou um plano alimentar que eu adorei, tinha até mais quantidade de comida do que eu costumava me permitir comer e estava bem adequado às minhas preferências. Ela também falou que achava que em 6 meses eu conseguiria atingir minha meta de emagrecimento. Achei bem fora da realidade porque sei que tenho dificuldade de emagrecer, mas ouvir ela falando me fez tão bem, que acreditei por um momento. Hoje acho que era para vender o pacote dela de 6 meses (que eu comprei). Eu deveria fotografar e descrever minhas refeições (que deveriam ser pesadas) no aplicativo dela e teria 2 refeições livres por semana. 

No primeiro mês estava bem animada e segui bem o que tinha sido proposto. Não estava passando fome (que era uma das minhas condições para manter a dieta) e apesar de não gostar de ficar pesando e fotografando a comida, estava ok. Chegou a 2ª consulta e eu só tinha emagrecido uns 300g, algo assim. Então ela começou a cortar quantidades e incluir coisas que eu não gostava (janta tipo comida e com pouco carboidrato). E a cada vez que eu passava na consulta ela fazia ajustes e reduzia porções. Uma colher de aveia aqui, uma fruta com muito carboidrato ali, o carboidrato na janta, coisas low carb - que pra mim não passam de omelete disfarçado.... Mas sempre me garantindo que eu não iria passar fome, afinal, podia comer legumes a vontade. Só que eu estava ficando com fome e me culpando por estar com fome. Porque se ela calculou aquela porção, aquilo deveria me satisfazer. Para mim era falta de vontade e esforço. E aí comecei a ficar obcecada pela próxima refeição, pensando o tempo todo que não poderia sentir fome antes da hora. Também fiquei viciada em procurar receitas fitness no Tik Tok.  

Quando chegava o final de semana e minha refeição livre, não estava conseguindo me controlar. Comia mais doce e comida do que eu estava comendo, porque tinha que aproveitar aquele momento. E percebi que nos primeiros meses (tirando o primeiro mês que estava ok), só estava seguindo certinho porque ficava tirando foto e postando no aplicativo para ela avaliar minha refeição e não queria passar vergonha. Mas não é uma prova, é comida. Não deveria receber uma nota pelo que eu como. Comi "besteira'", nota 2. Isso para quem tem uma auto estima baixa é horrível. Você atrela o que você come ao seu valor. 

Eu continuei não emagrecendo e estava cada vez com mais culpa por comer e ficar com fome ou por comer algo fora da dieta. Até que um dia conversando com meu namorado depois de me sentir mal por ter tomado um pouco mais de vitamina que ele (achando que iria engordar), percebi o quanto tudo isso estava me fazendo mal. Eu estou cansada e não quero mais viver assim. Não quero me sentir horrível por comer determinado alimento ou não ter autonomia sobre o que/quanto como. Resolvi que não quero mais fazer dietas e quero voltar para a alimentação intuitiva. Isso faz umas duas, três semanas e minha alimentação nem mudou tanto, continuo seguindo grande parte do que tinha no plano alimentar. Porque minha alimentação já era boa antes. Mas agora sinto a liberdade de comer o quanto preciso em determinado dia ou o que eu quero na janta. Não está sendo fácil e já tive uns momentos de recaída e pensamentos ruins sobre mim. Mas sigo determinada a continuar, mesmo sabendo que é difícil, que ainda vou ouvir muitos comentários sobre dieta, sobre meu corpo, minha alimentação. Acho que já cheguei num ponto que não aguento mais colocar tanto peso, ódio e pressão sobre mim mesma pelo simples ato de comer. Ainda quero emagrecer, mas quero fazer isso de uma forma mais gentil e sem estipular metas ou prazos. Sem achar que quando eu emagrecer vou ser feliz. Porque isso já aconteceu várias vezes e eu sempre arrumava outra coisa para me sentir insatisfeita. Dessa vez quero fazer as pazes definitivas com a comida e comigo mesma. 

Tentando fazer as pazes com a comida

18 novembro 2023

Eu sempre gostei muito de Harvest Moon e de jogos que chamo de jogos de fazendinha (também incluo Animal Crossing e similares nessa categoria). 

Animal Crossing foi meu grande vício e alívio mental durante a pandemia. Sempre gostei de jogos bonitinhos e mais casuais, daqueles que tudo bem você ficar um mês sem jogar porque quando voltar ainda vai lembrar e saber o que fazer. Eu tenho fases, então às vezes tô gostando mais de ler, ou ver alguma série ou jogar. E durante essas fases eu fico quase obcecada pelo hobby/interesse da vez e depois passa e eu vou para outro. E esses jogos encaixam perfeitamente nisso. 

Joguei incontáveis horas de Animal Crossing e da sua expansão, mas depois que você já fez praticamente tudo no jogo ele perde um pouco a graça sem novas atualizações. Desde então, fiquei em busca de um substituto para ele. Ooblets chegou bem perto disso. Na época até pensei em escrever aqui sobre ele, mas não estava muito inspirada para escrever e acabei deixando pra lá. Mas ele merece uma menção honrosa, porque é muito bom. 

É meio difícil explicar esse jogo, segundo o próprio site oficial, ele é "A pretty weird game about farming, creature collection, and dancing". E tudo isso faz sentido, pode acreditar! Como sempre acontece nesses jogos de fazendinha, você é explorado ajuda os habitantes da cidade nas suas tarefas, cuida das suas plantações, tem sua lojinha, interage com a comunidade e salva o dia. Mas nesse jogo você tem a ajuda dos Ooblets, criaturinhas um pouco estranhas e bem fofinhas e dançantes. Ah, ainda tem festivais temáticos, tipo Natal e Halloween, e eu AMO muito isso. Parei de jogar porque já completei o modo história e apesar de ainda ter umas coisinhas para fazer e mais Ooblets para pegar, ficou um pouco repetitivo depois de um tempo. Mas indico bastante. 

Outro jogo que ganhou meu coração, mas demorou um tempinho para me pegar, é Cozy Grove. Não sei se ele se encaixaria nos jogos de fazendinha, mas é fofinho e queria falar dele aqui. Nele você é um escoteiro um tanto diferente. Seu acampamento é numa ilha com vários fantasmas e outras criaturas e você tem como objetivo ajudar esses fantasmas com suas tarefas e lembranças de suas vidas. Enquanto isso você vai cuidando de criaturas fofas e sobrenaturais, pescando, cultivando árvores frutíferas, cozinhando e melhorando seu acampamento. Pensando bem, é um jogo de fazendinha sim. A arte é muito bonita e ele também tem festivais, mas por enquanto só joguei o finzinho do festival de inverno, já quero ver como serão os outros. E ele tá sempre bem barato na e-shop da Nintendo. 

Uma decepção pra mim foi o Disney Dreamlight Valley. Achei que era uma mistura de Harvest Moon com The Sims e personagens da Disney e de certa forma é, mas também não é, sabe?! Parece que ele tenta ser várias coisas ao mesmo tempo, mas acaba sendo meio básico demais em todas. Os personagens são todos meio bobos e ficam fazendo gestos e se movimentando de forma repetitiva pelo cenário. A Moana fica dançando toda hora em qualquer lugar e o coitado do Donald andando e caindo de cara no chão. As plantações crescem super rápido, assim como os recursos disponíveis na ilha e mesmo sua energia acabando rápido, é só você comer ou voltar para casa que ela recarrega. Mas apesar dessa parte fácil, é bem difícil juntar dinheiro e tudo no jogo custa muito caro, quase que te obrigando a gastar dinheiro de verdade para conseguir as coisas. Fora que o jogo está cheio de bugs. E sei que o Switch não tem os melhores gráficos, mas olha esse Mickey esquisitíssimo. 

E chegamos ao jogo que me fez querer escrever esse post: Wylde Flowers. Ele é muito maravilhoso!!!

A história começa mais ou menos igual a todos os jogos nesse estilo: sua avó está doente e você parte para uma cidadezinha para ajudá-la com sua fazenda. Mas, o que você não sabe é que ela é uma bruxa e você também. Tem coisa melhor? Fazendinha com bruxaria. E para melhorar, o jogo tem história e isso é muito raro nos jogos dessa categoria. Os personagens não estão lá só para falar qualquer coisa genérica com você. Eles tem uma profundidade e além de interagir com você, também tem histórias entre eles. O jogo ainda tem representatividade, com personagens de diferentes países e culturas, orientações sexuais, corpos diferentes...é o único jogo que já vi (não que eu seja tão conhecedora de jogos) que tem um personagem não-binário. 

Todos os personagens tem as falas inteiramente dubladas (em inglês) e é uma dublagem muito boa. Também tem uma preocupação com detalhes, decorações, roupas...coisas que podem parecer pequenas mas que contribuem muito com a imersão no jogo. Já vi que em breve vai ter uma atualização gratuita e que já tiveram várias outras. Fico até mal de ter pago tão barato nesse jogo (um pouco menos de 50 reais e nem era promoção) por tudo que ele oferece. E também não entendo como ele não é mais famoso. Pelo menos acho que não é, porque nunca tinha ouvido falar até ver num comentário em um canal do Youtube. Eu estou simplesmente viciada e tô tendo que me controlar para jogar só aos finais de semana. 

E caso você ainda não esteja convencido a jogar, aí vai: você pode ter um gatinho como pet. 🐈‍⬛


Jogos de Fazendinha

19 abril 2023


Já faz um tempo que a minha relação com os livros mudou um pouco. Eu ainda amo ler, mas tô encarando a leitura de uma forma mais leve e não mais como praticamente meu único hobby. 
Eu tinha esse blog basicamente para falar de livros, então me cobrava para ler mais e escrever resenhas. Também cheguei a ter parceria com uma editora por um ano e não quis repetir a experiência. 
Já faz muito tempo que não escrevo uma resenha e por mais que eu goste de compartilhar minha opinião sobre o que eu li, já não acho mais que consigo. Antigamente, quando acabava de ler um livro, estava louca para sair escrevendo sobre ele, contar sobre sua história, as palavras fluiam bem mais facilmente quando eu começava a escrever....hoje não faço mais do que dar uma nota no Goodreads ou no Skoob. 

Sinto que estou meio bloqueada para escrever, mas queria registrar minhas leituras aqui também como fazia antes. Então vou tentar fazer esse post de tempos em tempos. Um tempo variável, não mensalmente como era antes. E pode ser que não escreva nada mais do que um "Gostei" ou "Não Gostei", mas pode ser também que acabe me animando mais para escrever. Quem sabe. 

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Terminei 2021 lendo Quarto de Despejo da Carolina Maria de Jesus. E meu deus, que soco no estômago, na alma...Essa leitura para mim foi muito pesada e desesperadora. Ela se passa na década de 50, mas poderia muito bem ser agora. 

"Para mim o mundo em vez de evoluir está retornando a primitividade. Quem não conhece a fome há de dizer: "Quem escreve isso é louco". Mas quem passa fome há de dizer:
- Muito bem, Carolina. Os generos alimenticios deve ser ao alcance de todos.
Como é horrível ver um filho comer e perguntar: "Tem mais?". Esta palavra "tem mais" fica oscilando dentro do cerebro de uma mãe que olha as panelas e não tem mais. 
...Quando um politico diz nos seus discursos que está ao lado do povo, que visa incluir-se na politica para melhorar as nossas condições de vida pedindo o nosso voto prometendo congelar os preços, já está ciente que abordando este grave problema ele vence nas urnas. Depois divorcia-se do povo. Olha o povo com os olhos semi-cerrados. Com um orgulho que fere a nossa sensibilidade."

Parece cena tirada das páginas desse livro. Mais de 50 anos se passaram e a situação parece cada vez pior.


Depois dessa leitura, achei uma boa escolha ler Por Que Ocupamos?: Uma Introdução à Luta dos Sem-Teto, do Guilherme Boulos. Muita porcaria é dita sobre sobre o movimento de ocupação dos sem-teto. E sei que muitas pessoas acham que eles saem invadindo casas e que a próxima pode ser a sua. Mas é bem o oposto disso. Eu ainda tô longe de ser uma entendedora do assunto. Mas não acho que custa nos informarmos a respeito do que não conhecemos antes de julgar ou espalhar bobagens por aí. 


Kindred, da Octavia Butler, estava parado no meu armário desde que comprei. Meio escondido na verdade, porque ele veio todo amassado e sujo quando comprei e a loja não deu a mínima. Isso fez com que perdesse a vontade de ler por um tempo. Meio besteira, depois passou. Achei que iria gostar mais do que gostei. É um livro muito importante, retrata um período horroroso da história que ainda tem consequências (e muitas) até hoje. Mas, sei lá, não consegui ser muito convencida ou envolvida pela história. 


Evidence of the Affair, da Taylor Jenkins Reid foi a escolha para treinar um pouco meu inglês. Ele é curtinho e está disponível no Kindle Unlimited e como amei "Os Sete Maridos de Evelyn Hugo", achei que seria uma boa escolha. Ele é legalzinho, bem fluído e rápido de ler, mas não achei nada demais. Bom para passar o tempo. 



Por fim, li 2 livros que recebi quando assinava a TAG Inéditos: O Sol Mais Brilhante da Adrienne Benson e A Seca da Jane Harper. 
O primeiro se passa em alguns países da África e foi interessante descobrir mais sobre eles e sobre as diferentes culturas. Vira e mexe parava a leitura para pesquisar fotos no Google ou mais informações sobre o que tava sendo narrado. Mas no geral não gostei muito de nenhum dos personagens e achei a história arrastada. E tem uma outra questão: esse livro foi escrito por uma mulher branca que morou na África durante alguns anos da sua infância/adolescência e nunca mais retornou ao continente. Notei algumas descrições meio problemáticas e lendo outras resenhas, vi que tem outras questões ainda mais profundas que não notei. (exemplo)
Já A Seca é um thriller que me preendeu bastante. Aproveitei o Carnaval para ler e foi um bom entretenimento. 


Minhas últimas leituras

03 março 2022