Resenha: À Sombra de Uma Mentira

by - setembro 20, 2016


Número de Páginas: 462
Autora: Alex Marwood
Editora: Bertrand Brasil
Idioma: Português
Tradução: Verônica Radulescu
Livro recebido em parceria com o Grupo Editorial Record
Skoob/Goodreads



Sinopse: Poucas horas depois de se conhecerem, Jade e Bel, ambas com 11 anos, veem-se envolvidas na morte de uma garotinha e tachadas de assassinas. As duas meninas são enviadas a diferentes reformatórios, onde recebem novas identidades e são instruídas a nunca mais entrar em contato uma com a outra.  Agora elas são Kirsty, uma respeitável jornalista freelancer de Londres, e Amber, gerente de um parque de diversões no sul da Inglaterra. Quando Amber encontra um corpo em uma das atrações do parque, a mídia fica em polvorosa, e Kirsty, enviada para cobrir os assassinatos, acaba cruzando o caminho de sua velha conhecida.


Esse livro foi recomendado e muito bem avaliado pelo Stephen King e acho que até consigo ver o porquê dele ter gostado. Dizem que o autor é bastante prolixo em suas obras e esse livro segue esse estilo também. Mas o jeito que o Stephen King escreve, mesmo em suas obras mais extensas funciona para mim, o que não aconteceu nesse livro. Eu chego até a ficar com um sentimento de "hmm, será que vai dar certo esse livro enorme sem se tornar entediante?" no começo da leitura, mas até agora sempre deu certo. Logo me vejo super envolvida com os personagens e a história e querendo mais. Mas em "À Sombra de Uma Mentira", só queria que acabasse mesmo.

Logo no começo da leitura, dá para perceber que o livro não é um thriller que foca somente em um mistério principal. Além dos assassinatos que estão ocorrendo no presente, ocasionalmente também temos flashbacks que vão mostrar aos poucos o que aconteceu no fatídico dia que levou à prisão de Jade e Bel quando as duas tinham apenas 11 anos. Por ser contada mais no presente, a história também mostra bastante da vida das protagonistas, agora vivendo com novas identidades, e de seus conhecidos. E geralmente eu gosto muito de thrillers assim, em que somos capazes de conhecer mais sobre os personagens da trama. Porém, por mais que o livro relatasse diversos acontecimentos na vida delas, não achei que eles serviram muito para as conhecermos melhor. 

Há muitos personagens secundários desnecessários, se é que podem ser chamados de secundários, porque são tão desenvolvidos quanto figurantes de novela. Eu não vejo muito sentido em encher a história de personagens rasos que vão ter pouca ou nenhuma relevância a não ser confundir a cabeça de leitores cuja memória, assim como a minha, não é das melhores. Achei os personagens tão genéricos (e muitos estereotipados), que em vários diálogos do livro não conseguia saber direito quem estava falando o que e tinha que ficar relendo para encontrar algum sentido. 

Não consegui me conectar com nenhum personagem, nem mesmo as protagonistas. Como eu falei, muitos acontecimentos em que estão envolvidas são apresentados, mas fiquei com a impressão que apesar de saber tanto de suas vidas, não sabia nada ao mesmo tempo. Muitos capítulos eram um tanto quanto repetitivos, principalmente os que abordavam o trabalho de jornalista de Kirsty. Senti que podia muito bem ter pulado vários sem fazer nenhuma diferença para a história como um todo. 

Achei que o mistério que está acontecendo no presente, o assassinato de mulheres na cidade que Amber mora, ficou totalmente apagado. E pela sinopse, achava que seria um dos pontos de maior destaque. Por vezes, eu só lembrava dessa parte do livro quando um corpo era encontrado. E quando é feita a revelação do assassino, que para mim não foi nenhuma surpresa, tem uma explicação bem mais ou menos dos motivos e parece que essa parte do livro é simplesmente esquecida. E isso acontece faltando ainda umas 150 páginas para o final. 

Apesar de ser categorizado como um thriller, acho que o livro puxa muito mais para o drama. E como não me envolvi com nenhum dos personagens, acabou sendo muito difícil levar a história até o final. Em algumas partes senti empatia por alguns e raiva de outros, mas foram momentos muito pontuais e logo já voltava para a indiferença. 

Se tem uma coisa que me incomodou nesse livro foi toda a raiva e o desprezo em relação às personagens femininas. Não sei exatamente qual foi a intenção da autora ao trazer isso para a história, mas chegou em um ponto que já estava me fazendo mal ler tantos "vagabundas", "vadias" e "vacas". Os homens tratavam as mulheres assim e as próprias mulheres se tratavam assim. Não tem nenhuma amizade de verdade entre mulheres e por mais que a Amber faça de tudo por suas colegas, elas ficam o tempo todo jogando em sua cara como queriam sair com seu namorado. Aliás, constantemente as protagonistas e as pessoas que elas conhecem ficam repetindo que elas têm muita sorte por terem encontrado companheiros tão bons e coisas do tipo. Kirsty está o tempo todo se colocando como uma esposa ruim quando algum desentendimento acontece em seu casamento, por mais que ela esteja fazendo tudo que pode para sustentar a casa sozinha enquanto seu marido está desempregado.

E eu não tinha percebido isso tão claramente até ler algumas resenhas no Goodreads, mas o tempo todo parece que Kirsty venceu na vida por ter conseguido casar e formar uma família, enquanto Amber, que também tem um emprego e sua casa própria, parece que está em uma posição de menos importância. E isso é reforçado no desfecho do livro. O final não me convenceu muito, assim como a explicação do que aconteceu naquele dia do passado em que suas vidas foram condenadas para sempre. 

Eu achei que a premissa do livro era muito boa, mas na minha humilde opinião, ela não foi bem executada. Porém, de um lado temos minha opinião, de outro a do Stephen King rs. Então sugiro que quem se interessar pela história, leia para tirar suas próprias conclusões :)

"Na verdade, é disso que a grande essência da vida é feita. Não são as férias e os jantares fora e o desejo de mais, mas as xícaras de chá em um momento juntos depois de um longo dia. Trata-se de perdoar e de esquecer, e de fazer concessões. É a honestidade, a verdade e a confiança, construindo um lugar seguro e mantendo quem se ama ali. "

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