Resenha: O Fim da História

by - julho 18, 2016


Número de Páginas: 210
Autor: Lydia Davis
Editora: José Olympio
Idioma: Português
Livro cedido em parceria com o Grupo Editorial Record
Skoob/Goodreads




Nesse livro acompanhamos uma narradora sem nome revivendo suas memórias de um romance do passado. Como forma de tentar entender os acontecimentos que levaram ao término, ela está há anos escrevendo um romance baseado em sua história, pela qual ela continua obcecada mesmo depois de tanto tempo. Já vivendo com outro homem e seu pai doente, ela nunca conseguiu encerrar de verdade esse relacionamento e além de reviver diariamente as memórias e os sentimentos que nutria por seu antigo namorado, ainda continua procurando por ele.

Os dois se conheceram quando ela havia se mudado para um vilarejo à beira-mar, onde moraria para lecionar em uma Universidade, de onde ele era estudante. Doze anos mais novo do que ela, o envolvimento dos dois parecia pouco provável, porém acontece no mesmo dia em que os dois se conhecem. 
Eu fiquei um bom tempo tentando decidir o que tinha achado desse livro e ainda não estou muito certa em relação a isso. Gosto de livros introspectivos e a proposta desse me chamou a atenção, porém demorei muitas páginas (quase a metade do livro) para me sentir envolvida de alguma forma com ele. 

Não consegui me identificar com a protagonista ou sentir empatia por ela em quase nenhum momento. Para falar a verdade, na maior parte do tempo a achei egoísta e detestável. Por tratar de um relacionamento que fracassou, eu esperava que fosse pelo menos sentir algum envolvimento com o romance dos dois, de modo que eu sofresse de alguma maneira junto com a personagem pelo término. Mas para mim o romance não foi outra coisa senão fracassado desde o princípio. 

Ela o considerava novo demais, pobre, desinteressante, não tão inteligente quanto ela e os amigos e basicamente nada da vida dele que não tivesse relação com ela tinha valor. Por vezes ela o inferiorizava ou fazia pouco de seus sentimentos, com a certeza que ele a amava tanto que ela poderia magoá-lo de novo e de novo e ele sempre estaria ali. A maior parte de suas lembranças envolve brigas entre os dois ou o quanto os momentos que passavam juntos era tediosos e desgastantes. Eu acho que se você sempre prefere fazer qualquer outra coisa a estar com seu namorado, seu relacionamento tem uns probleminhas sérios. 

Eu não queria que ele ficasse com outra mulher, embora eu pudesse ficar com outro homem. Eu podia ficar com outro porque aquilo não me machucava, e eu evitava o que pudesse me machucar e ia atrás do que me daria prazer. 

Apesar da linha do tempo da nossa memória ser embaralhada, achei os relatos muito mais confusos do que eu estava esperando. Sempre achei que eu fosse atrapalhada para contar determinados acontecimentos, mas esse livro me superou. Às vezes tinha a impressão que o ele tinha sido escrito seguindo uma certa ordem cronológica e depois recortado e embaralhado. Sei que a intenção foi deixar o mais próximo possível da nossa confusão mental em relação ao passado, mas alguns trechos eram quebrados demais para a minha capacidade de acompanhar. Além da repetição constante de certos fatos e a modificação deles a cada vez que eram narrados. 

Mesmo sendo um livro curto, me arrastei por boa parte dele, achando que seria uma chatice até o final e que eu não chegaria a lugar nenhum. Mas o que me fez dar 3 estrelas para ele foi a forma como a autora consegue descrever certos sentimentos, principalmente quando chega na parte do final do relacionamento. Às vezes sentia como se fosse eu quem tinha escrito determinados trechos (se eu fosse boa com as palavras rs). Se a história não tivesse se concentrado em coisas tão chatas e repetitivas durante tanto tempo, creio que teria aproveitado muito mais essa leitura. 
Eu tinha que pensar com clareza, tomar boas decisões, fazer planos, e não conseguia. Estava no lugar errado para entender, envolvida demais em cada coisa ou distante demais. Pensava que uma coisa era a coisa certa a fazer, e em seguida me perguntava se logo eu pensaria o oposto. Às vezes sabia o que devia fazer, mas não tinha vontade de agir; outras vezes tinha vontade de agir, mas não tomava uma atitude. E como desse jeito eu enfrentava a mim mesma, tinha que me perguntar como podia mudar o que eu era, para não ser sempre essa pessoa com quem eu competia, essa pessoa que me derrotava. 

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