Resenha: Androides sonham com ovelhas elétricas?

by - fevereiro 07, 2016



Rick Deckard é um caçador de recompensas. Ao contrário da maioria da população que sobreviveu à guerra atômica, não emigrou para as colônias interplanetárias após a devastação da Terra, permanecendo numa San Francisco decadente, coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas.

Na tentativa de trazer algum alento e sentido à sua existência, Deckard busca melhorar seu padrão de vida até que finalmente consiga substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal verdadeiro; um sonho de consumo que vai além de sua condição financeira.
Um novo trabalho parece ser o ponto de virada para Rick: perseguir seis androides fugitivos e aposentá-los. Mas suas convicções podem mudar quando percebe que a linha que separa o real do fabricado não é mais tão nítida como ele acreditava.
Em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, Philip K. Dick cria uma atmosfera sombria e perturbadora para contar uma história impressionante, e, claro, abordar questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana.


Número de páginas:
272
Autor: Philip K. Dick
Editora: Aleph
Idioma: português
Gênero: Ficção Científica


Após uma guerra atômica que devastou a Terra, a maior parte dos humanos emigrou para colônias em outros planetas. Para suportar a vida no nosso planeta, algumas pessoas usam o Sintetizador de Ânimo, um equipamento capaz de induzir qualquer estado desejado em seu usuário, como "Percepção das múltiplas possibilidades abertas para mim no futuro" ou "Vontade de assistir TV, não importa o que esteja passando", apesar de sempre estar passando o programa do Buster Gente Fina

Além do sintetizador de ânimo, as pessoas usam a Caixa de Empatia, um aparato capaz de conectá-las física, mental e espiritualmente com Wilbul Mercer e com todas as outras pessoas que estivessem utilizando a caixa no mesmo momento. Mercer era um ancião e uma espécie de ser espiritual, preso em outra dimensão que sempre faz uma penosa jornada para escapar do mundo tumular ao qual ele foi condenado e dos antagonistas que lhe atiram pedras. (Sim, é super confuso)

Quase todos os animais foram extintos e possuir um animal é caríssimo. Como quem não possui um animal não é bem visto na sociedade, muitas pessoas recorrem aos animais elétricos, cópias praticamente perfeitas e que podem enganar os vizinhos. (É mais ou menos daí que vem o título do livro)

Muitas das pessoas que ficaram são os chamados Especiais, que foram afetados pela poeira radioativa e não passaram no teste de QI, sendo proibidos de emigrarem, se reproduzirem e sendo excluídos dos registros, passando praticamente a não mais existirem.  

Rick Deckard é um dos Normais que continuaram aqui e ganha a vida como um caçador de androides fugitivos. Os androides foram criados com o propósito de ajudarem os humanos na colonização de outros planetas, mas alguns se rebelaram e fugiram para a Terra para serem livres. Durante a maior caçada de sua vida, Deckard começa a questionar sua profissão e se os androides são tão diferentes assim dos humanos.

Naquele elevador no museu, ele disse a si mesmo, eu desci com duas criaturas, uma humana e a outra, androide... e meus sentimentos foram o contrário do que deveriam ter sido. Do que estou acostumado a sentir. Do que eu deveria sentir. 


Esse livro me lembrou um pouco "Admirável Mundo Novo", como o sintetizador de ânimo sendo uma espécie de soma, apesar do propósito dos dois serem um pouco diferentes. Enquanto o soma tinha como objetivo deixar as pessoas felizes o tempo todo para controlá-las, o sintetizador de ânimo poderia até induzir emoções negativas, se esse fosse o desejo de quem estivesse fazendo uso dele. Mas de qualquer forma, ambos criam emoções artificiais. Em "Androides sonham com Ovelhas Elétricas?", a vida na Terra se tornou praticamente uma existência vazia. Até mesmo emoções/estados como "desilusão" e "depressão" precisavam ser induzidos através do sintetizador.

Nessa história, diferentemente de outros livros de ficção científica que eu já li, a linha que divide um ser humano de um androide é muito mais tênue. Eles são capazes de ter emoções próprias e até matarem seres humanos para salvarem as próprias "vidas". Por vezes os androides parecem mais vivos e mais intensos que alguns humanos, o que dá um certo bug na sua cabeça. A semelhança é tanta que quando um androide é aposentado (morto), é necessário fazer um exame para se certificarem que de fato não era um humano. 

Eu gostei demais desse livro e achei que ele traz diversos questionamentos importantes. Ele é muito mais do que uma história de ficção científica. Alguns pontos me deixaram um pouco confusa, mas acredito até que era a intenção do autor não esclarecer tão detalhadamente certos aspectos da história. É uma leitura que definitivamente recomendo!

-Você será requisitado a fazer coisas erradas não importa para onde vá - disse o velho. -É a condição básica da vida, ser obrigado a violar a própria identidade. Em algum momento, toda a criatura vivente deve fazer isso. É a sombra derradeira, o defeito da criação; é a maldição em curso, a maldição que alimenta toda vida. Em todo lugar do universo. 

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