Resenha: Battle Royale

by - outubro 14, 2014


Em um país totalitário, o governo cria um programa anual em que uma turma do ensino fundamental é escolhida para participar de um jogo. Os estudantes são levados para uma área isolada, onde recebem um kit de sobrevivência com uma arma para se proteger e matar os concorrentes. Uma coleira rastreadora é presa no pescoço de cada um deles. O jogo só termina quando apenas um estudante restar vivo. Ao final do Programa, o vencedor é anunciado nos telejornais para todo o país. As regras do jogo foram criadas de maneira que não haja uma forma de escapar. E a justificativa da matança é mostrar para a população como o ser humano pode ser cruel e como não podemos confiar em ninguém - nem mesmo no nosso melhor amigo de escola.  




Número de páginas: 663 
ISBN: 9788525056122
Autor: Koushun Takami  
Tradutor: Jefferson José Teixeira 
Editora: Editora Globo 
Idioma: português 
Gênero: Distopia - Drama - Horror - Aventura
★★★


Mais uma distopia pra minha coleção! Assim como A Menina Submersa (que já fiz resenha aqui) ganhei esse livro no meu aniversário (em julho), mas só consegui fazer a resenha agora :(
Esse foi um dos maiores livros que já li e achei que ia demorar bastante para terminar, mas a leitura é bem fluída e terminei bem mais rápido do que imaginava. Fiquei interessada por esse livro pelas comparações com Jogos Vorazes, mas apesar de algumas semelhanças, também há muitas diferenças, e acho que Jogos Vorazes me conquistou mais.

A história começa em um ônibus de uma suposta excursão da turma B do nono ano da Escola de Ensino Fundamental Shiroiwa, onde os estudantes são apresentados rapidamente pelo narrador (em terceira pessoa) assim como um pouco sobre o governo da República da Grande Ásia Oriental (Japão). Logo no primeiro capítulo, os alunos são sedados com gás do sono e o ônibus é tomado por homens do governo que irão levá-los para participar do programa. Os estudantes acordam na escola de uma ilha, que foi totalmente evacuada para a realização do programa, com uma coleira metálica em seus pescoços. Um homem chamado Kinpatsu Sakamochi explica as regras do programa para os estudantes, falando que eles deveriam matar os demais para sobreviver e que não seria possível escapar da ilha, pois havia barcos patrulha ao redor dela e as coleiras eram monitoradas por satélite, podendo ser explodidas caso eles saíssem da área delimitada. Além disso, a ilha era dividida em quadrantes e em determinadas horas do dia, alguns deles seriam proibidos e quem permanecesse nesses locais também teria sua coleira explodida.

Durante essa explicação, alguns incidentes acontecem, resultando em dois estudantes mortos mesmo antes do início do jogo. Um desses estudantes era Yoshitoki Kuninobu, melhor amigo de Shuya Nahara. Após o término das explicações, os estudantes recebem um kit de sobrevivência com um mapa da ilha, para que marcassem os quadrantes proibidos conforme fossem sendo anunciados, e saem um a um da escola. Assim, o jogo tem início e alguns estudante já começam a participar ativamente dele, matando outros colegas. Mesmo com as regras sendo bem claras quanto à impossibilidade dos estudantes escaparem e que o jogo só terminaria quando restasse apenas um estudante, alguns se recusam a participar desse programa e tentam se unir com amigos mais próximos para tentarem elaborar planos de fuga ou de ataque ao soldados do governo que estão na ilha. Um desses estudantes é Shuya, que também decide proteger Noriko Nakagawa, por quem Yoshitoki era apaixonado. Enquanto Shuya e Noriko estão procurando um local para se esconder, acabam cruzando com Shogo Kawada (considerado meio que um bad boy pela maioria dos estudantes), que acaba se juntando a eles.

Apesar de alguns estudantes terem mais destaque, principalmente Noriko, Shogo, Shuya como protagonistas e Kazuo Kiriyama e Mitsuko Soma como  principais antagonistas, todos os alunos possuem capítulos exclusivos ou quase exclusivos para eles, que contam um pouco mais de sua história de vida e acompanham sua participação no jogo. Apesar desses capítulos nos mostrarem um pouco mais sobre a personalidade de cada personagem, pra mim ainda foi pouco para conseguir me apegar de verdade a alguém. Além disso, achei o número de personagens muito grande! Eu já tenho dificuldade para guardar nomes de algumas pessoas com quem eu convivo, imagina 42 nomes, em uma língua que tenho pouca familiaridade, de pessoas que eu nem tenho um rosto para associar. Também achei a personalidade da maioria dos estudantes meio rasa demais e um pouco estereotipada, sendo razoavelmente fácil dividi-los em pessoas super boazinhas ou super "vilãs", com várias atitudes previsíveis.

Uma das coisas que mais me incomodou foi o Shuya. Ele é o típico mocinho super do bem que quer salvar todo mundo e ser feliz para sempre. Mas ele só faz burrada e se arrisca desnecessariamente o tempo todo. A sorte dele é ter o Shogo no grupo, único personagem que gostei de verdade. Também não me conformei com a quantidade de meninas que eram perdidamente apaixonadas pelo Shuya. Outra coisa que não me convenceu muito foi como alguns estudantes arriscavam a sua vida sem pensar duas vezes por quem eles "gostavam". Coloquei o verbo gostar entre aspas, porque não parecia um amor de verdade e sim paixõezinhas que você tem no ginásio por algum menino/menina da sua sala, em que você nunca falou nada além de um "oi" pra pessoa e acha ela bonitinha. Eu posso estar completamente errada, mas não acho que dá pra você amar outra pessoa de verdade, a ponto de morrer por ela, sem ao menos ter uma convivência mais íntima, e não apenas uma convivência superficial de colega de classe.

Também achei algumas situações bem irreais e forçadas, como a capacidade de alguns estudantes de sobreviverem e ainda correrem por aí ou lutarem depois de terem levado mil tiros ou sendo feridos mortalmente de alguma outra forma, além das munições infinitas que alguns possuíam e habilidades nível Rambo. Depois de todas essas minhas "reclamações" parece que eu detestei o livro, mas não foi o que aconteceu. A história é muito boa e original, há diversas críticas ao governo e pessoas do alto escalão que nos fazem refletir, a escrita do autor não é cansativa e o livro prende bastante. O que realmente me incomodou foi a construção dos personagens, que não funcionou pra mim, o que não quer dizer que não vai agradar outras pessoas. Acho que vale a pena a leitura, já vi várias pessoas que gostaram bastante desse livro. Talvez eu esteja numa fase meio intolerante, por isso não gostei muito de ninguém e fiquei irritada com algumas coisas hehe.

Quanto a parte estética do livro, a Editora Globo está de parabéns! O livro é muito bonito, há vários detalhes em relevo na capa, na contracapa, na lombada e até nas orelhas. As páginas são amareladas e o texto não ficou muito junto ou espremido nelas. O tradutor e o(s) revisor(es) também fizeram um trabalho excelente, porque é um livro super extenso, traduzido do japonês e não encontrei nenhum erro de português ou expressão que não fazia sentido. Outro detalhe que achei muito legal também, foi o mapa, presente no verso da capa e da contracapa, da ilha dividida em quadrantes e uma tabela com os quadrantes proibidos que ajudava a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos.


 "Meu tio uma vez falou que o riso constitui um elemento essencial para manter a harmonia e que ele pode ser a nossa única válvula de escape"

Caso alguém tenha lido ou se interessado em ler, me conte nos comentários, vou ficar muito feliz em saber a opinião de vocês!

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2 comentários

  1. Eu li ele digital, mas quero o físico pq é digno de deixar na estante =D
    Adorei a resenha =D

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  2. É digno sim, ele é super bonito *-*
    Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado! :D

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