Não lembro quando isso começou. Quando eu comecei essa corrida louca contra o tempo para aprender o máximo de coisas possíveis e me tornar alguém melhor, mais interessante. Bordado, desenho, amigurumi, tai chi, idiomas, dança, meditação, escrita, produtividade, infinitos livros de autodesenvolvimento...a lista é gigantesca. E apesar de eu ter um interesse genuíno por essas coisas coisas, não sinto que estou aprendendo pelos motivos certos. Eu não estou aproveitando os processos, estou apenas mirando nos resultados. Em como vai ser quando eu "chegar lá" e tiver dominado todos esses assuntos (como se isso fosse possível). 

Estava falando disso em uma conversa com meu namorado uma vez, de como tinha perdido o prazer em aprender e chegamos à conclusão de que se tivesse um botão mágico que eu pudesse apertar para saber todos esses assuntos de uma vez, eu apertaria. Bem no estilo do filme Click. E acho isso tristíssimo. Porque assim como no filme, estaria apagando parte da minha vida. Porque aprender, passar pelo processo, é viver. Eu sempre me interessei por coisas diversas, sempre gostei de aprender, mas parece que me perdi em algum momento. Fico me perguntando se caso eu realmente tivesse dominado todo esse conhecimento que eu quero, se eu faria algo com ele. Se eu fosse uma super desenhista, crocheteira, mestre do tai chi...será que ainda me interessaria ou essas coisas se tornariam apenas comuns para mim? Algo que já sei fazer tão bem que acaba não sendo mais tão interessante assim. 

Acho que grande parte da graça está no processo em si. Porque nunca vai ter um "chegar lá". Sempre vamos querer mais e mais e nunca estar satisfeitos. Mesmo atividades de lazer eu comecei a tratar da mesma forma. Pego um livro para ler porque quero zerar a minha estante. Ou começo um jogo já pensando em terminar o mais rápido possível para começar o próximo. Isso está me esgotando. 

Estou lendo o livro Meditações para Mortais, do Oliver Burkeman, e apesar de estar meio no começo, já está me fazendo refletir sobre vários aspectos da minha vida. E tudo que li até agora vai muito ao encontro dessas reflexões que ando fazendo. Queria deixar aqui alguns trechos que destaquei.

O problema central, como diz Rosa, é que a mola propulsora da vida moderna consiste na ideia fatalista de que a realidade pode e deve ser cada vez mais controlada — e de que nossa paz de espírito e prosperidade dependem apenas de nós mesmos. Assim, vivenciamos o mundo como uma série infinita de coisas que devemos dominar, aprender e conquistar.

Talvez você acredite que a razão de existir está vinculada a certo nível de status, renda ou qualificações acadêmicas. Ou talvez você associe sua autoestima ao parâmetros mais enlouquecedor de todos: o de "descobrir seu potencial" — isso significa que você jamais terá descanso, pois como poderá ter certeza de que não resta um pouco mais de potencial a ser usado?

trate sua pilha de leituras como um rio, não como um balde. Ou seja, pense nela não como um recipiente que se enche pouco a pouco e que você deve esvaziar, mas como um curso d'água que corre ao seu lado, no qual você pode apanhar alguns itens aqui e ali sem se sentir culpado por deixar todos os demais serem levados pela correnteza.



Não tenho um objetivo muito claro com esse post rs. Como o autor diz na introdução, acho que estou escrevendo para mim mesma. Para servir como um lembrete para voltar a apreciar e viver meus processos. 

Passar meia hora lendo algo interessante, comovente, inspirador ou meramente prazeroso pode valer a pena não apenas em função de aprimorar o seu futuro — embora isso também ocorra —, mas sobreturo em nome dessa meia hora em que estamos vivos.