JĂĄ faz um tempo que a minha relação com os livros mudou um pouco. Eu ainda amo ler, mas tĂŽ encarando a leitura de uma forma mais leve e nĂŁo mais como praticamente meu Ășnico hobby. 
Eu tinha esse blog basicamente para falar de livros, entĂŁo me cobrava para ler mais e escrever resenhas. TambĂ©m cheguei a ter parceria com uma editora por um ano e nĂŁo quis repetir a experiĂȘncia. 
JĂĄ faz muito tempo que nĂŁo escrevo uma resenha e por mais que eu goste de compartilhar minha opiniĂŁo sobre o que eu li, jĂĄ nĂŁo acho mais que consigo. Antigamente, quando acabava de ler um livro, estava louca para sair escrevendo sobre ele, contar sobre sua histĂłria, as palavras fluiam bem mais facilmente quando eu começava a escrever....hoje nĂŁo faço mais do que dar uma nota no Goodreads ou no Skoob. 

Sinto que estou meio bloqueada para escrever, mas queria registrar minhas leituras aqui tambĂ©m como fazia antes. EntĂŁo vou tentar fazer esse post de tempos em tempos. Um tempo variĂĄvel, nĂŁo mensalmente como era antes. E pode ser que nĂŁo escreva nada mais do que um "Gostei" ou "NĂŁo Gostei", mas pode ser tambĂ©m que acabe me animando mais para escrever. Quem sabe. 

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Terminei 2021 lendo Quarto de Despejo da Carolina Maria de Jesus. E meu deus, que soco no estĂŽmago, na alma...Essa leitura para mim foi muito pesada e desesperadora. Ela se passa na dĂ©cada de 50, mas poderia muito bem ser agora. 

"Para mim o mundo em vez de evoluir estĂĄ retornando a primitividade. Quem nĂŁo conhece a fome hĂĄ de dizer: "Quem escreve isso Ă© louco". Mas quem passa fome hĂĄ de dizer:
- Muito bem, Carolina. Os generos alimenticios deve ser ao alcance de todos.
Como Ă© horrĂ­vel ver um filho comer e perguntar: "Tem mais?". Esta palavra "tem mais" fica oscilando dentro do cerebro de uma mĂŁe que olha as panelas e nĂŁo tem mais. 
...Quando um politico diz nos seus discursos que estå ao lado do povo, que visa incluir-se na politica para melhorar as nossas condiçÔes de vida pedindo o nosso voto prometendo congelar os preços, jå estå ciente que abordando este grave problema ele vence nas urnas. Depois divorcia-se do povo. Olha o povo com os olhos semi-cerrados. Com um orgulho que fere a nossa sensibilidade."

Parece cena tirada das påginas desse livro. Mais de 50 anos se passaram e a situação parece cada vez pior.


Depois dessa leitura, achei uma boa escolha ler Por Que Ocupamos?: Uma Introdução Ă  Luta dos Sem-Teto, do Guilherme Boulos. Muita porcaria Ă© dita sobre sobre o movimento de ocupação dos sem-teto. E sei que muitas pessoas acham que eles saem invadindo casas e que a prĂłxima pode ser a sua. Mas Ă© bem o oposto disso. Eu ainda tĂŽ longe de ser uma entendedora do assunto. Mas nĂŁo acho que custa nos informarmos a respeito do que nĂŁo conhecemos antes de julgar ou espalhar bobagens por aĂ­. 


Kindred, da Octavia Butler, estava parado no meu armĂĄrio desde que comprei. Meio escondido na verdade, porque ele veio todo amassado e sujo quando comprei e a loja nĂŁo deu a mĂ­nima. Isso fez com que perdesse a vontade de ler por um tempo. Meio besteira, depois passou. Achei que iria gostar mais do que gostei. É um livro muito importante, retrata um perĂ­odo horroroso da histĂłria que ainda tem consequĂȘncias (e muitas) atĂ© hoje. Mas, sei lĂĄ, nĂŁo consegui ser muito convencida ou envolvida pela histĂłria. 


Evidence of the Affair, da Taylor Jenkins Reid foi a escolha para treinar um pouco meu inglĂȘs. Ele Ă© curtinho e estĂĄ disponĂ­vel no Kindle Unlimited e como amei "Os Sete Maridos de Evelyn Hugo", achei que seria uma boa escolha. Ele Ă© legalzinho, bem fluĂ­do e rĂĄpido de ler, mas nĂŁo achei nada demais. Bom para passar o tempo. 



Por fim, li 2 livros que recebi quando assinava a TAG InĂ©ditos: O Sol Mais Brilhante da Adrienne Benson e A Seca da Jane Harper. 
O primeiro se passa em alguns paĂ­ses da África e foi interessante descobrir mais sobre eles e sobre as diferentes culturas. Vira e mexe parava a leitura para pesquisar fotos no Google ou mais informaçÔes sobre o que tava sendo narrado. Mas no geral nĂŁo gostei muito de nenhum dos personagens e achei a histĂłria arrastada. E tem uma outra questĂŁo: esse livro foi escrito por uma mulher branca que morou na África durante alguns anos da sua infĂąncia/adolescĂȘncia e nunca mais retornou ao continente. Notei algumas descriçÔes meio problemĂĄticas e lendo outras resenhas, vi que tem outras questĂ”es ainda mais profundas que nĂŁo notei. (exemplo)
JĂĄ A Seca Ă© um thriller que me preendeu bastante. Aproveitei o Carnaval para ler e foi um bom entretenimento.