Resenha: A Menina Submersa

by - setembro 25, 2014

"Vou escrever uma história de fantasmas agora, ela datilografou".
Esta é a história de India Morgan Phelps. Não se assuste: é um livro dentro de um livro, e a incoerência uma isca para uma viagem mais profunda, na qual Caitlín R. Kiernan se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita.
A Menina Submersa é como um canto de sereia que nos hipnotiza até que tenhamos virado a última página, e fica conosco para sempre.  





Finalmente minha primeira resenha por aqui! Pedi esse livro de presente de aniversário e tenho que confessar que não sabia muito do que era a história e o que esperar. Mas ele estava sendo muito comentado na internet e o achei muito bonito também, então resolvi arriscar. E acertei em fazer isso. Com toda certeza, poucos escrevem como Caitlín, então vem ver o que eu achei! ;) 




Número de páginas: 320  
ISBN: 9788566636253
Autora: Caitlín R. Kiernan  
Tradutoras: Ana Resende e Carolina Caires 
Editora: DarkSide® 
Idioma: português 
Gênero: Literatura estrangeira - Ficção Cientifica 
★★★

Nesse livro, acompanhamos India Morgan Phelps, ou Imp, escrevendo um livro sobre sua história de fantasmas. Mas não são fantasmas no sentido de espíritos de filmes de terror. Como ela mesma escreve, "Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo". Imp sofre da "Maldição da Família Phelps", assim como sua mãe e avó, ela foi diagnosticada com esquizofrenia. Ambas cometeram suicídio, e o pai de Imp as abandonou quando ela tinha 10 anos por causa da doença da mãe.

O livro escrito por Imp alterna entre vários momentos da sua vida. A narrativa é mais ou menos linear, porém ela introduz os acontecimentos no momento em que acha necessário e nem sempre seguindo uma ordem cronológica. Nós conhecemos a história pelo seu ponto de vista, o que não garante que as coisas aconteceram da forma que ela conta, nem que de fato aconteceram. 

No começo de sua história de fantasmas, Imp escreve sobre o dia em que conheceu Abalyn, sua namorada e sobre a sua forte ligação com o quadro "A Menina Submersa", de Phillip George Saltonstall (li o livro todo como Santossal e só agora que me dei conta que estava errado), mencionado por ela em muitos momentos de seu livro. 

Imp resolve escrever esse livro como uma forma de tentar exorcizar seus fantasmas, que ficam piores depois que ela conhece Eva Canning. Ela encontra Eva nua, de noite em uma estrada e apesar de achar que ela tinha uma aparência sobrenatural, Imp dá uma carona a Eva e a leva até sua casa. Depois desse encontro, Imp desenvolve uma certa obsessão por Eva e sua relação com Abalyn começa a piorar e o estado da sua doença.

A partir daí, o livro torna-se mais intenso e profundo e em vários momentos foi possível sentir a angústia de Imp diante dos pensamentos obsessivos e das incertezas que ela tinha, devido às peças que sua mente pregava, fazendo com que não conseguisse distinguir entre realidade e imaginação.   

Eu demorei um pouco mais que o costume para ler esse livro, acho que devido à carga psicológica intensa que ele traz e porque estava em época de provas. No começo o achei bem confuso e cheguei a pensar em interromper a leitura, mas fiquei presa a ele e à história de Imp e precisava saber o que ia acontecer. Não me arrependo de ter continuado, o livro é muito bem escrito e tem passagens incríveis, marquei vários trechos ao longo da leitura. 

O visual do livro é um assunto à parte. Ele é muito muito lindo. É o meu primeiro livro da DarkSide, mas pelo que vejo em outros blogs, todos são muito caprichados. Adorei o contraste do rosa da capa, com a primeira folha preta com a caveirinha símbolo da editora. Além disso, o livro possui ilustrações no início e no fim, e em cada começo de capítulo.





"O que mais tememos não é o conhecido. O conhecido, por mais horrível ou prejudicial à existência, é algo que podemos compreender. Sempre podemos reagir ao conhecido. Podemos traçar planos contra ele. Podemos aprender suas fraquezas e derrotá-lo. Podemos nos recuperar de seus ataques. Uma coisa tão simples quanto uma bala poderia ser suficiente. Mas o desconhecido desliza através de nossos dedos, tão insubstancial quanto o nevoeiro. "

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