Número de Páginas: 238
Editora: Record
Idioma: Português
Autor: Tess Gerritsen
Tradução: Márcio El-Jaick

Livro recebido em parceria com o Grupo Editorial Record



Sinopse: No ambiente frio e sombrio de um antiquário em Roma, a violinista americana Julia Ansdell depara com uma partitura intrigante — a valsa Incendio — e é imediatamente atraída pela peculiar composição. Carregada de paixão, tormento e de uma beleza arrepiante — e aparentemente inédita aos olhos do mundo —, a valsa com seu tom menor fúnebre e seus arpejos febris parece ter vida própria. Determinada a dominar a obra complexa, Julia decide ser o instrumento que fará com que sua melodia seja ouvida.
Já de volta à Boston, no instante em que o arco de Julia começa a ser deslocado pelas cordas do violino, desenhando no ar aquelas notas intensas, algo sinistro é despertado — e a vida de Julia fica sob ameaça iminente. A música parece exercer um efeito inexplicável e macabro sobre sua filha pequena, que se mostra drasticamente transformada. Convencida de que a melodia hipnótica de Incêndio está desencadeando uma maldição, Julia decide investigar a história por trás da partitura e encontrar a pessoa que a compôs. Suas buscas a levam à milenar cidade de Veneza, onde Julia descobre um segredo sinistro de várias décadas envolvendo uma família perigosamente poderosa que fará de tudo para impedir que ela revele a verdade ao mundo — custe o que custar.
Eu imaginava que esse livro seria um romance policial, mas não me perguntem o porquê cheguei a essa conclusão, já que a sinopse não dá a entender isso. Talvez seja por conta do outro livro que li da autora, O Cirurgião. Mas mesmo sendo um pouco diferente do que eu esperava, esse livro me prendeu do começo ao fim. Na contracapa, há uma citação que diz "Eu desafio você a ler o primeiro capítulo e não chamuscar os dedos enquanto lê o restante." e de fato a história já me ganhou no primeiro capítulo.

O livro se alterna entre presente e passado. Nos tempos atuais, Julia está em uma busca desesperada por uma explicação para a maligna influência que a valsa parece exercer sobre sua filha. Para agravar a situação, ela ainda precisa provar para seus familiares que não está sofrendo de uma doença mental, assim como aconteceu com sua mãe tantos anos antes e culminou na morte de seu irmão mais novo.

Eu sofri muito junto com a Julia. Fiquei imaginando o quão desesperador deve ser achar que sua filhinha que você tanto ama se transformou em alguém capaz de fazer coisas que você jamais iria imaginar. E a todo momento questionar sua sanidade mental, já que ninguém parece acreditar em você, até você mesma. 

Já no passado, acompanhamos a vida do jovem músico italiano Lorenzo e sua família, sofrendo com os horrores que antecederam à Segunda Guerra Mundial, por serem judeus. Aos poucos são apresentados os fatos - tristeza, sofrimento, amores perdidos, vidas roubadas - que levaram à composição da valsa Incendio

Eu gostei muito do livro como um todo, mas essa foi minha parte preferida. Achei a história e os personagens muito interessantes e bem desenvolvidos, mesmo que não tenha sido tão extensa quanto eu gostaria. Aliás, acho que esse foi "defeito" do livro para mim, ser muito curto para a dimensão da história que estava sendo contada. Gostei muito do que foi pensado pela autora e acho que poderia render mais umas boas páginas. 

Apesar de ter adorado acompanhar a história de Lorenzo, não pude evitar minha tristeza enquanto percorria as páginas. Pensar novamente em todos os absurdos e atrocidades aos quais os judeus foram submetidos me deixou mal por um tempo após finalizar a leitura. Quase não dá para acreditar que isso foi verdade. 

O desfecho da narrativa de Julia me surpreendeu bastante e achei que foi bem interessante, mas meio corrido em alguns pontos. Mesmo com esse pequeno porém, é um livro que recomendo bastante!
Depois de terminar a leitura, fiquei bem curiosa para ouvir a valsa Incendio e fui pesquisar se ela existia. Descobri que a própria autora a compôs! Eu imaginava que ela fosse um pouco mais agitada/tensa, mas achei muito bonita.


Queria dar os parabéns para o responsável pela arte da edição brasileira, que achei bem mais bonita que a americana.