Número de Páginas: 392
Editora: Bertrand Brasil
Idioma: Português
Autor: J. D. Robb

Skoob/Goodreads

Esse ano decidi fazer leituras temáticas em dezembro e escolhi Natal Mortal para ser a primeira. Eu sei que talvez não seja o livro mais adequado do mundo para entrar no clima de natal, mas estava querendo ler um thriller bom depois de não ter gostado de O Sorriso da Hiena. Mas, devo dizer que continuo na procura.
Esse é o sétimo livro da série Mortal, escrita pela Nora Roberts sob o pseudônimo de J. D. Robb. Foi o primeiro que eu li e provavelmente será o último.

A história começa com o assassinato de Marianna Hawley. Ela fora estuprada e assassinada em sua cama, onde encontrava-se amarrada e enfeitada com um festão natalino. Como se isso não fosse o suficiente, o assassino ainda a maquiou, tatuou a frase "Meu Verdadeiro Amor" em seu corpo e a enfeitou com uma joia que representava o primeiro presente da canção "Os Doze dias de Natal". A tenente Eve Dallas insiste em ser a responsável pelo caso, mesmo ainda não tendo se recuperado totalmente de um incidente envolvendo um caso que investigou anteriormente. Quando ela e sua assistente, Delia Peabody, examinam as fitas das câmeras de segurança do prédio de Marianna, descobrem que o assassino é ninguém menos que o Papai Noel!


O caso afeta Dallas de uma forma pessoal e ela e sua equipe de investigação têm que correr contra o tempo para descobrir quem é o assassino antes que ele resolva completar todos os outros dias da canção.

Fiquei muito interessada pela sinopse, principalmente porque a história se passa em Nova Iorque no ano de 2058. Mesmo não sendo num futuro tão distante assim, a ideia me lembrou vagamente "As Cavernas de Aço", que mistura ficção científica com investigação. E essa parte do livro de fato foi bem interessante. Achei que podia ter sido mais desenvolvida, mas conseguia imaginar esse cenário futurista enquanto fazia a leitura.

Eu também gostei muito do mistério, achei que foi muito bem bolado ao usar uma canção de natal associada aos crimes e o assassino vestido de Papai Noel. "Mas Juliana, se você gostou tanto assim, por que essa avaliação baixa?" Aí que tá, pra mim o mistério ficou em segundo plano nesse livro. Eu achei que ele era muito mais um livro de romance (quase tendendo ao erótico) que por acaso também tinha um crime sendo investigado. E não era isso que eu esperava.

Já falei algumas vezes por aqui que gosto muito de livros policiais que não tenham foco só no que está sendo investigado e sim na vida pessoal dos policiais/detetives. Só que também não tanto assim. Era basicamente um assassinato e uma cena de sexo, um pouquinho de investigação e uma cena de sexo entre Eve e seu marido-maravilhoso-deus-grego-dos-olhos-azuis-ó-que-lindo Roarke (aliás, quem não era a perfeição da natureza nesse livro? Nunca vi uma concentração tão grande de pessoas maravilhosas, principalmente os homens 😒). E essas cenas eram bem mais longas e descritivas do que eu estava com paciência para ler. Fora os diálogos. Às vezes me sentia com vergonha alheia lendo.

O tempo todo Dallas era apontada como uma ótima policial, mas sinceramente não consegui enxergar isso. O que ela sabia fazer era ficar dando ordens e sendo grosseira com TODO mundo. Além de utilizar seu cargo para intimidar as pessoas e ameaçar prender por desacato quem não tinha feito nada contra ela diversas vezes. Não consegui gostar de jeito nenhum da personagem. Ela é do tipo "te trato mal e te humilho toda hora, mas no fundo me preocupo com você". Ela é uma chefe bem abusiva com Peabody (com toda a equipe também, mas principalmente com ela), sempre fazendo comentários maldosos quando ela se interessa por um homem, sobre a possibilidade dela engordar ou como ela deveria se comportar. 

Comentários machistas são uma constante nesse livro, reforçando o esteriótipo "bela, recatada e do lar" (E não que seja errado ser assim, ok? Só não é certo estipular como o padrão ideal a ser seguido por todas as mulheres). Apesar dos personagens terem atitudes contrárias ao abuso e ao assédio a mulheres, comentários desse tipo, por mais inofensivos que possam parecer, acabam por reforçar a ideia de que a mulher tá abaixo do homem ou que ela não é capaz de fazer certas coisas. Não sei se é exagero da minha parte mas achei ruim um dos comentários de Roarke para Eve, falando que ele que deveria cuidar dos pisca-piscas porque era trabalho de homem e mulheres eram muito sensíveis para mexer com eletricidade. Isso em 2058 para sua mulher que era a tenente mais badass da cidade (pelo menos teoricamente). E ele sempre parecia saber o que era melhor pra ela em tudo. 

Eve passa mais tempo reclamando do natal e infernizando a vida de todo mundo que gosta das festas do que de fato investigando, por mais que ela fale o tempo todo que está trabalhando. Eu esperava que pelo menos no final ela desvendasse os assassinatos, mas a resposta é dada de bandeja pra ela. Isso foi bem frustrante, visto todos os elogios para sua atuação profissional. Apesar disso, gostei do desfecho do mistério e achei que foi bem plausível e interessante. 

Olhando só para o lado policial do livro, ele me agradou e poderia fazer com que eu continuasse a série. Também queria saber como iria evoluir uma coisa que começou a acontecer com a Peabody. Mas não aguento mais um livro acompanhando a Eve e todas as outras coisas que comentei.