Autor: Richard Brautigan
Número de Páginas: 240
Editora: José Olympio
Idioma: Português

Livro cedido em parceria com o Grupo Editorial Record
Skoob/Goodreads







De maneira sarcástica e um tanto nonsense, Brautigan conta episódios passados em euMorte, um lugar onde quase tudo é feito de açúcar de melancia. Com uma linguagem original e poética, o autor nos transporta para um ambiente surrealista, mas que também se assemelha ao cotidiano banal de uma pessoa comum. Uma crítica bem-humorada à mecanicidade das nossas ações.

Minha resenha poderia ser basicamente isso:
Porque simplesmente não consegui entender a mensagem que o autor quis passar com esse livro. Vi milhares de resenhas positivas no Goodreads e pessoas falando que era o livro preferido da vida, então acredito que deva ter alguma coisa ali que eu não consegui ver, já que terminei a leitura sem sentir absolutamente nada, além de uma sensação de "ué".



Esse livro nos conta episódios da vida cotidiana de um protagonista cujo nome não conhecemos. Ele mora em euMorte, um lugar onde praticamente tudo é feito de açúcar de melancia. Por não se encaixar em nenhum dos trabalhos considerados mais tradicionais nesse mundo, ele resolve escrever um livro, o que é algo bastante raro por lá. E é mais ou menos assim que a história se desenrola, focando no presente e na escrita desse livro e na convivência com seus amigos e demais habitantes e em alguns momentos voltando ao passado, recordando uma época em que os tigres falantes ainda existiam em euMorte e o lugar não era tão bom assim de se viver por conta do perigo que eles traziam. 

Pela sinopse e pela capa (que achei a coisa mais linda por sinal), eu imaginava que seria uma fantasia diferente e gostosa de ler, meio "estranha", no estilo Neil Gaiman, mas acho que interpretei meio errado. Eu me considerava mente aberta para histórias e universos diferentes, mas esse livro chegou em um nível de estranheza muito além do que eu estava imaginando.


A história é sem pé nem cabeça o tempo inteiro. Com cenas como a que o protagonista ainda criança está tomando café da manhã e dois tigres falantes entram em sua casa e matam e comem seus pais enquanto conversam com ele e o ajudam na lição de casa. E todo o livro é assim. 

Eu não ligaria que a história fugisse bastante do comum, contanto que ela falasse comigo de alguma forma. Porém a sensação que eu tinha enquanto estava lendo era simplesmente de que o autor juntou um monte de ideias que ele teve em um sonho maluco e não desenvolveu ou conectou nenhuma delas. 

O que eu achei mais promissor foi a ideia do mundo imaginado, onde quase tudo era feito de açúcar de melancia e havia melancias e sóis de cores diferentes, fazendo com que cada dia tivesse sua particularidade. Também havia o lugar chamado euMorte onde grande parte dos personagens vivia e era uma espécie de casa, mas ao mesmo tempo não era já que havia rios e outras coisas inesperadas em seu interior. Mas como eu disse, tudo foi muito pouco desenvolvido. 

"Hoje será um dia de melancias cinza. Prefiro amanhã: os dias de silenciosas melancias pretas. Quando as cortamos, não fazem nenhum ruído, e são muito doces.
São muito boas para se produzir coisas que não façam som. Lembro-me de um homem que fazia relógios de silenciosas melancias pretas e seus relógios eram silenciosos."

Logo no início há um capítulo inteiro dedicado ao fato do nome do protagonista ser considerado não habitual, mas acho que é isso é o mais longe que chegamos de conhecê-lo melhor. Os personagens são bastante rasos e quando parece que eles vão se tornar mais interessantes, acaba por aí. Todos eles agem da mesma forma, como se estivessem um tanto desconectados da realidade e acho que aí é que reside a crítica à mecanicidade das nossas ações, como nos diz a sinopse. Mas não consegui ver o lado bem-humorado ou até mesmo sentido na forma como essa crítica é feita, já que achei essa automaticidade muito extrema e exagerada.


Os capítulos são bem curtos, alguns com apenas um parágrafo, e há repetições de trechos, falas e descrições constantemente, o que quase me tirou do sério. Li o livro de uma vez só e em um pouco mais de duas horas. Mas não por me sentir presa a história e sim por ter esperança de que ia chegar a hora em que alguma coisa fosse fazer sentido em tudo aquilo que eu estava lendo. O que infelizmente não aconteceu. 

Em todos os livros que li até hoje, mesmo os que eu não gostei, fui capaz de extrair alguma coisa da leitura ou pelo menos sentir algo, mas pela primeira vez isso não aconteceu. Foi um livro que definitivamente não funcionou para mim, mas para quem gosta de histórias MUITO nonsense pode ser diferente.