Sensíveis, divertidos e instigantes, os contos de Eu, Robô são um marco na história da ficção científica, seja pela introdução das célebres Leis da Robótica, pelos personagens inesquecíveis ou por seu olhar completamente novo a respeito das máquinas. Vivam eles na Terra ou no espaço sideral; sejam domésticos ou especializados, submissos ou rebeldes, meramente mecânicos ou humanizados, os robôs de Asimov conquistaram a cabeça e a alma de gerações de escritores, cineastas e cientistas, sendo até hoje fonte de inspiração de tudo o que lemos e assistimos sobre essas criaturas mecânicas.



Número de páginas: 320
ISBN: 978-85-7657-200-8
Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph
Idioma: português 
Gênero: Literatura Estrangeira/Ficção Científica

Eu não sei se ando muito chata com as minhas leituras ultimamente, ou se ando criando expectativas demais, mas esse livro não fui tudo que eu esperava. Eu já tinha comentado por aqui que ando me interessando bastante por coisas coisas futurísticas, ficção-científica e robôs, então esperava que ia ser A leitura do ano, mas acabou sendo apenas uma leitura agradável. Isso de maneira nenhuma é ruim, só não é aquele "óóó" que eu estava esperando.

O livro é uma coletânea de contos sobre robôs publicados pelo autor em algumas revistas nos anos 40. Sim, nos anos 40! Reconheço o quanto Asimov estava a frente de seu tempo e como ele foi genial imaginando e criando essas histórias, bem como algumas referências que continuam a ser usadas até hoje, como as 3 leis da robótica. 

  • 1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
  • 3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis

Os contos apresentados no livro são memórias da famosa psicóloga roboticista: Susan Calvin. Susan, com 75 anos, está prestes a se aposentar de seu trabalho de uma vida na U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. e aceita compartilhar suas lembranças em uma entrevista com um jornalista da Imprensa Interplanetária. Ela é uma mulher fechada e um pouco fria, que sempre demonstrou maior interesse e empatia por robôs do que por humanos (consigo entendê-la perfeitamente). Ela reluta em narrar alguns acontecimentos, principalmente os que envolvem um lado mais emocional da psicóloga, mas ao poucos e com alguma insistência, o jornalista vai obtendo sucesso em sua entrevista.

  1. Robbie 
  2. Andando em círculos
  3. Razão 
  4. É preciso pegar o coelho
  5. Mentiroso! 
  6. Um robozinho sumido
  7. Evasão!
  8. Evidência 
  9. O conflito inevitável
Os contos são organizados cronologicamente, de modo que vamos acompanhando toda a evolução dos robôs, desde os modelos mais simples até o momento em que já não há como imaginar a vida na Terra sem o auxílio dessas máquinas evoluídas e altamente inteligentes. Alguns contos me agradaram mais que outros, como o primeiro, "Robbie", que acredito ser unanimidade na preferência dos leitores. Robbie é um modelo de robô muito simples, que não possui o mecanismo da fala, e foi comprado para ser a babá de uma garotinha de 8 anos, Gloria. A relação entre os dois é encantadora. 

Um conto bastante curioso é o "Razão", no qual um robô, Cutie, questiona sua própria existência e não acredita ter sido construído por seres tão inferiores quanto os humanos. Cutie acredita em um ser superior, o Mestre, e faz diversas teorias mirabolantes para sustentar seu ponto de vista. Gostei muito também de "Mentiroso!", que traz um robô que consegue ler mentes e devido a essa habilidade especial acaba se colocando em uma situação delicada devido à necessidade de obediência às 3 leis. 

As 3 leis são bastante exploradas em praticamente todas as histórias. Elas são basicamente a única garantia de que os robôs, uma espécie mais desenvolvida e racional que a nossa, irão nos obedecer e servir. Eu acho que robôs são tão fascinantes que não gosto de pensar neles como nossos serviçais (e não lido bem com humanos tratando-os de forma rude nas histórias), mas teoricamente são criados para isso. 

A edição do livro está muito bonita, como tenho observado nas outras edições da Aleph com as quais tive contato recentemente. A capa é toda branca e tudo que está escrito nela é prateado, dando um efeito muito bacana. Gostei bastante da ilustração também. 

Todos os capítulos do livro são separados por páginas pretas que possuem apenas o título escrito na cor branca.


No final do livro, Asimov conta como começou seu amor por histórias de robô e como entrou nesse mundo de escritor de ficção científica, achei bem interessante o relato dele.  


Sei que essa resenha ficou bem curtinha, mas acho complicado falar sobre livros que são divididos em contos. Por serem várias pequenas histórias, tenho receio de acabar contando demais e estragando a leitura. Também sei que falei no começo que não foi tudo que eu esperava e pode parecer contraditório eu indicar a leitura, mas eu de fato gostei e acho que é um livro que vai agradar a muitos leitores!