Esse livro me indignou tanto que essa vai ser a primeira resenha que faço com spoilers (mas eles estarão separados do resto da resenha) porque eu preciso desabafar de alguma forma hahaha. E como eu não conheço ninguém que leu para conversar sobre, falarei aqui.

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Shelley é uma garota de 15 anos que vive apenas com a mãe. Ambas são ratos, mas não literalmente falando. Ela mesma as descreve dessa forma devido a sua passividade. Nenhuma delas nunca reage a nada e aceitam tudo que as outras pessoas impõem a elas, por mais prejudicial e humilhante que seja. 

Todas nós dividíamos um elo secreto, que eu chamava, ironicamente, de sociedade dos ratos. Eu gostava de me divertir imaginando o brasão que usaríamos no peito - um rato em uma ratoeira, com o pescoço quebrado - e nosso lema "Nati ad arum" escrito sobre o desenho de um pergaminho desenrolado: nascidas com o gene de vítima.

No início do livro, elas estão procurando uma casa afastada para morarem por dois motivos: o pai de Shelley abandonou-as para ficar com sua secretária e tirou praticamente todo o dinheiro delas no processo de divórcio e Shelley foi vítima de um acidente na escola, por isso não a frequenta mais e prefere ficar isolada das outras pessoas. 

Nos primeiros capítulos ficamos sabendo mais sobre o acidente no qual suas ex-melhores amigas, as JETS (sigla formada pela letra inicial do nome das meninas), estavam envolvidas. Através dos relatos de Shelley, descobrimos que o acidente na verdade não teve nada de acidental e sim foi resultado de um violento bullying que ela sofreu por um longo período. 

Após a mudança para o Chalé Madressilva, a vida das duas parece estar se acertando: elas vivem no próprio mundinho isolado que criaram para elas, onde finalmente se sentem seguras por estarem afastadas do resto da sociedade. O único contato que Shelley tem com outras pessoas é durante suas aulas com dois tutores particulares; e sua mãe, no trabalho, onde é constantemente humilhada, assediada e explorada. 

Essa aparente vida perfeita é abalada na noite da véspera do aniversário de 16 anos de Shelley, quando um ladrão invade a casa. A menina não acredita que aquilo está acontecendo, pois já sofrera o suficiente para uma vida toda e não era justo que fosse castigada sem motivos novamente. Esse sentimento de justiça que está nascendo dentro dela e os acontecimentos dessa noite provocam uma drástica mudança na vida das duas.

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Acho que é o máximo que posso falar da história sem contar mais do que devo. Minha opinião geral sobre o livro é que ele começou bem e tinha uma boa proposta ao tratar do bullying e de como pessoas mais frágeis são constantemente abusadas psicológica e fisicamente por outras e não conseguem se libertar desse abuso. Porém, não acho que a proposta foi bem desenvolvida e no meio do caminho ele ficou todo errado. Inúmeras situações foram forçadas demais e houve uma inversão de valores muito grande em alguns acontecimentos da história.

A narrativa é fluída e a escrita do autor é boa, mas não foi o tipo de livro que me deixou presa à história e com vontade de ler logo para descobrir o que aconteceria. Eu gostei de alguns trechos e de como o autor aborda essa personalidade de "rato" (até certo ponto). Como disse, acho que poderia ter sido um livro muito bom, mas como um todo ele me desagradou e incomodou muito. Porém acho que sou uma exceção, já que a sua avaliação no Skoob está bem alta e quase todas as resenhas são positivas.





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Número de páginas: 240
Autor: Gordon Reece
Editora: Intrínseca
Idioma: português 
Gênero: Literatura Estrangeira/Thriller





Sinopse: Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir - são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso.Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou, elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.